
Desde pequena, quando tinha mais ou menos cinco anos, descobri em mim, embora eu não soubesse o que era, o dom de ser mística. Acreditava, como acredito até hoje, que Deus existe, que se eu me colocasse junto com a minha família, sob o manto de Nossa Senhora Aparecida, cuja devoção herdei de minha mãe, nada de mal nos aconteceria. Logicamente, naquele tempo, o mal para mim era completamente diferente dos tempos de hoje.Não pensava em violências, assaltos, seqüestros, estupros, crimes cometidos por crianças e adolescentes, corrupções abertamente terminando em pizza, etc. Eu tinha medo de morrer, de perder meus pais, tomar injeção, acidentes com minhas irmãs. Certamente que já deviam existir, algumas coisas que acontecem hoje, porém, aconteciam na calada da noite, e o povo nada ficava sabendo; ainda mais na pequena cidade onde eu morava, Iperó, no interior de São Paulo. Mas, voltando ao meu lado místico, eu costumava ir á missa todo domingo, confessar meus pecadinhos ao padre, comungar, houve época que até freira quis ser, inspirada por uma jovem da cidade que foi para o convento. Quando cheguei aos treze anos mais ou menos, embora acreditando em Deus e em Maria Santíssima, até mais do que antes, descobri que o mal era muito mais daquilo que eu pensava e, que EXISTIA tanto quanto Deus. Cabia a eu decidir entre os dois. Foi quando veio a revolução de 64, meu pai um simples líder sindical, ao mesmo tempo em que era vereador presidente da Câmara, foi presos acusado de comunista, agitador, etc...(foi libertado alguns dias depois) eu tinha 14 anos e, assustada briguei com Deus (como se isso, fosse possível), afastei-me um pouco das missas, das procissões, das filhas de Maria. Também nesta época começaram os namorados, os primeiros bailinhos, os pecados já não eram tão pequenos e por conveniência, fiquei um grande período longe da Igreja, apesar de sentir fé em Deus. Casei-me na igreja de Santo Antonio, no Embaré, um bairro em Santos onde já estávamos morando há alguns anos. Eu estava com 22 anos, tinha passado pelo ano de 68, quando fiz o meu vestibular e, sinceramente a faculdade de Direito que nem cheguei a terminar nada acrescentou á minha fé. Ao contrário, eu ouvia alunos veteranos falarem: Deus? Quem é ele? Só acredito se estiver num frasco de laboratório! Como posso ver, eu não tinha muita motivação para crer e, no entanto, continuava a sentir a mesma fé. Depois de casada, já com dois filhos, o menor com três anos e a maior com seis, morando em Salvador, na Bahia comecei a sentir a necessidade não apenas de rezar em casa, mas de ir á igreja. Porém nunca sobrava tempo para Deus. Nossos fins de semana eram preenchidos por praia, clube, cinema com as crianças. Um dia, daqueles que parece que temos um buraco no coração, um vazio na alma, sem mais nem menos, apareceu lá em casa, duas senhoras distintas, pertencentes da Legião de Maria e, pediram para subir, pois, aquele dia, era a visita delas no meu prédio. Devido ao meu estado de carência, e a vontade de ouvir falar de Deus, deixei que subissem. Elas, as legionárias, foram instrumentos do Espírito Santo naquele dia para mim. Depois de ouvirem minhas lamúrias e, vendo minha tristeza com saudades do PAI, uma delas, com idade para ser minha mãe, médica, me perguntou se eu gostaria de fazer um CURSILHO de CRISTANDADE que significa, pequeno curso de Cristo. Ela disse que era um movimento de Igreja eletizado, com vagas que precisavam ser pré-aprovadas e, por acaso havia tido uma desistência que ela iria tentar conseguir para mim. O tal curso, seria dentro de dois meses, durava três dias e uma noite, não haveria comunicação direta com ninguém e nada mais poderia ser dito, além de se exigir um sigilo absoluto após o mesmo caso eu o fizesse. Do jeito que me sentia naquele dia, qualquer proposta que me prometesse preencher o vazio, a insatisfação sem motivos, que eu estava sentindo, teria sido aceita sem pensar (vejam aí a mão de Maria). Eu poderia ter recebido outro tipo de proposta que não viesse de Deus. Quando elas foram embora, apesar de mais aliviada, só pensava num jeito de contar ao meu marido, pois, além de um tanto ciumento, ele não era nem um pouco católico. Sua experiência com Deus nunca passou de atos meramente sociais como a primeira comunhão, o nosso casamento, e o batismo dos nossos filhos. Para minha surpresa, quando contei a ele, achou ótimo! Disse que estava me achando estressada e alguns dias fora poderiam me fazer bem. Eu até estranhei seu comportamento. Questionei com quem deixaria os meninos e ele falou para não me preocupar ele faltaria no trabalho na quinta-feira e sexta-feira já que seu cargo era de confiança, e a fábrica lhe devia alguns dias. Na semana seguinte, me ligaram da coordenação do movimento comunicando que minha ficha fora aprovada, que eu só levasse na mala roupas pessoais e confortáveis, os medicamentos especiais caso estivesse tomando, chinelos ou sapatos baixos. Marcaram o lugar onde eu teria que me apresentar no dia, a hora e uma pequena taxa caso eu pudesse pagar. O não pagamento da taxa não teria nenhum impedimento. Se por ventura, eu não pudesse ir, tinha que comunicar para que outra pessoa entrasse no meu lugar. Durante os dois meses que faltavam, pensei muitas vezes em desistir. Meu marido, porém, contrariando seu comportamento habitual, me incentivava a ir causando em mim certa desconfiança. Tinha uma amiga, Fátima, que fazia brincadeiras dizendo que ele queria era ficar sozinho, e enquanto eu ficaria rezando o fim de semana ele com certeza iria se divertir. Mas conhecendo a pessoa com quem estava casada, decidi ir. Afinal, eu sempre poderia desistir e vir embora se não estivesse gostando. Quando chegou finalmente o dia, a esperada e temida quinta-feira, lá estava eu, com minha mala na mão, acompanhada de meus filhos e do marido que foram me levar. Juro que tive vontade de voltar correndo para casa. Aqueles rostos de pessoas estranhas, com exceção da pessoa que me convidara (madrinha) eu não conhecia ninguém! Após as despedidas, entramos todas num ônibus, éramos 50 mulheres acompanhadas de duas coordenadoras. As dirigentes iam em seus próprios carros, o que fiquei sabendo depois. Foram distribuídos uns kits contendo entre pastas, canetas, lápis e cadernos a letra de uma música, que nunca mais esqueci: Decolores Decolores decolores é a primavera florindo caminhos, decolores, decolores são todas as flores, são os passarinhos... e assim vai, a letra da música nos tocando e a melodia penetrando em nossas vidas para sempre. Demoramos uns 40 minutos para chegar. O lugar era realmente lindo! Pura natureza! O barulho do mar, batendo nas pedras, longe de outros barulhos do dia a dia, a brisa dos coqueirais, tudo levava a um clima de paz. Fomos muitas bem recebidas e depois de nos acomodarem em nossos respectivos quartos, duas em cada um, simples, porém limpos, com detalhes pequenos, singelos que nunca serão encontrados, em nenhum hotel cinco estrelas. Não falarei do que aconteceu lá durante os três dias, inclusive nesta primeira noite, que foi importantíssima! Até mesmo, em respeito à promessa do sigilo. Só posso dizer, que me encontrei pessoalmente com Deus, conheci o poder do Espírito Santo e desde então me transformei em outra Marlene. Na noite de domingo, ao encontrar minha família, apesar dos pés inchados, do cansaço, havia algo diferente em mim, um brilho nos olhos impossível de não ser notado. A minha mudança em atitudes foi transparente, tanto, que para minha alegria alguns meses depois sem que eu nada falasse, meu marido, pediu e foi convidado para participar do próximo cursilho para homens executivos. Durante uns dez anos, trabalhamos ativamente no movimento, até que nossos filhos começaram a participar de grupo de jovens e fomos trabalhar com a Pastoral da Juventude em nossa paróquia. Nosso primeiro grupo começou com vinte e dois adolescentes de quatorze anos aumentados para cinqüenta em cinco meses. Hoje, eles são jovens adultos, alguns já são pais de família, como é o caso de meu filho, quase todos perseveram na caminhada engajada em outras pastorais, uns são médicos, advogados, engenheiros. Os que não participam de movimentos, levam Deus para seus trabalhos cumprindo aquilo que Deus quer de nós: FERMENTO na MASSA, SAL e LUZ na Terra. Os que não perseveraram possuem a sementinha plantada no coração, e, se Deus quiser um dia darão frutos. (Muitos são chamados, poucos são os escolhidos). Voltando para minha conversão, continuo mística, minha Fé hoje é madura, estudei Teologia durante três anos, fiz muitas palestras para escolas, empresas e igrejas. Trabalhei como catequista durante 12 anos em minha paróquia em Salvador, sou apaixonada por JESUS CRISTO, SENHOR da MINHA VIDA, amo Maria como minha intercessora e minha mãe, sei que sou templo do ESPIRITO SANTO. Em 1998 por motivos financeiros, vim morar aqui em Juazeiro e como meu filho e nora me deram uma linda neta, hoje com seis anos, que nasceu no dia vinte e cinco de dezembro, com o nome de Júlia Maria estavam morando conosco, deixei minhas atividades pastorais para me dedicar a eles até terminarem a faculdade. Hoje, estão formados, morando na casa deles. São advogados. Em julho de 2005, minha filha que morava em Salvador, também advogada, sofreu um assalto, junto comigo e eu devido ao susto de ter uma arma apontada na cabeça, passei a ter depressão e síndrome do pânico além de um tipo de transtorno obsessivo compulsivo precisando fazer tratamento psiquiátrico e tomar medicamentos. Isso tem me impedido de ir a missa e até mesmo de rezar o que me deixa muito triste. Entretanto, ontem, domingo acordei após ter sonhado que eu estava numa igreja muito grande, que estava descalça e que o manto que eu usava nas costas tinha sido usado no altar. No momento da consagração foi que eu reconheci o manto, ao mesmo tempo em que uma senhora na igreja me deu um enorme pedaço de pão. Eu questionei o pedaço grande, e ela me mostrou outra senhora não só com um pedaço, mas com muitos pães inteiros para levar para casa. O sonho foi muito rico nos detalhes, a igreja estava sendo reformada, o detalhe do cálice, o tipo de papel que embrulhava o pão. Foi então que eu acordei, contei meu sonho e pensei comigo: JESUS veio me trazer a Eucaristia.O pão representava a Hóstia consagrada o manto queria me dizer que eu estava coberta pelo sangue de Jesus. Dentro desse meu lado místico eu disse para Jesus: Senhor, eu sei que tu não precisas de mim, porém, tu sabes o quanto eu preciso de ti. Hoje, logo pela manhã quando acordei recebi um telefonema de uma amiga, uma pessoa humilde que estava aflita para falar comigo. Ela, então me contou que no domingo, estava participando de um retiro da renovação carismática e, quando o SANTISSIMO passou por ela, sem saber porque, lhe veio na cabeça a minha imagem. Nesse momento, ela pediu ao Senhor Jesus que me visitasse e que eu pudesse receber das mãos Dele as bênçãos necessárias para ficar completamente boa. Liguei então o sonho com o fato e quem quiser que acredite: JESUS ME VISITOU! Para confirmar meu testemunho abri, ou melhor, já estava aberta, a minha Bíblia no salmo 126 que diz: Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não guardar a cidade, debalde vigiam as sentinelas. Inútil levantar-vos antes da aurora, e retrasar até alta noite vosso descanso. Para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá aos seus amados até durante o SONO. Aqui, termino meu testemunho, acreditando cada vez mais Naquele que me Fortalece. Não tenhais medo pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-vos o Reino. Tudo colabora para o bem daqueles que confiam em Deus Quem muito reza trás Deus para si. Quem tem Fé...Deus vai até ele Louvo a Deus pela minha Fé. Um dom que o próprio Deus nos dá. Peço á Ele por todos que ao ler este texto também um dia possam receber a VISITA ESPECIAL de JESUS, e senti-la no coração.
Marlene O Fortuna