quarta-feira, 28 de março de 2007

Uma escola diferente


Ontem minha neta Júlia Maria teve a primeira apresentação do encerramento das aulas na sua escola, antes da formatura do ABC, que será em dezembro. Enquanto eu penteava seu cabelo ela me perguntou: Vovó em qual escola você poderá ir com a sua idade? Achei a pergunta ótima, bacana. Gostei!
Então eu lhe respondi: Eu agora vou para a escola da minha poesia. Ela novamente perguntou: Como é essa escola? Eu lhe disse: A vovó agora pertence à escola onde o espaço é livre, onde o céu está sempre aberto, de horizontes sem fim... Onde meus olhos captam o vôo de um pássaro, onde eu posso nadar rio acima, mesmo com o vento ao contrário.
Posso gravar um poema na sua pequena mãozinha, ou nas asas feridas de uma borboleta... Posso jogar todo o infinito na beleza de uma poesia...Posso sair de madrugada acordando as flores ou sair de noite acendendo as estrelas... Na escola a qual pertenço, eu me visto de preto quando vejo você chorar, mas me visto de roupa de gala se você está feliz, sorrindo... Eu agora pertenço a uma escola privilegiada que não tem nem terceira idade.
Nessa escola existem todas as idades que eu vivi desde que nasci... Já não tenho que ter um rumo certo sigo em direção de longes mares, de praias desertas, de saudades inquietas que às vezes me tomam de assalto...Posso abrir uma brecha dentro do firmamento, descobrir novas rotas, receber notícias de naves perdidas, encontrar outras galáxias... Eu pertenço à escola que conheceu o amor, por ele se apaixonou... E que sofreu! Eu pego carona com a esperança, percorro distâncias sem sair do lugar.
Mas na verdade... Verdade mesmo, eu sou da escola da vida, onde conheci a verdadeira poesia, aquela que eu guardava dentro de mim e que não reconhecia...Deparei-me com ela: QUANDO ENCONTREI VOCÊ, foi no dia que eu renasci...QUANDO VOCÊ NASCEU PRÁ MIM!!!



Marlene O Fortuna

Serás um homem meu filho!


Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires;
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar a ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos,
Contudo Resta a vontade em ti que ainda ordena:
"Persiste!"; Se és capaz de entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais — tu serás um homem, ó meu filho!



Marlene O Fortuna
Obs.: Tirado de escritos de um velho livro de infância.

Esta Vida



Guilherme de Almeida

Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver. A ciência,
se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo. E vibra e cresce e se desdobra
e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.
Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida
Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Um pobre me dizia: para o pobre
a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.
Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!
Pela primeira vez eu comecei a ver,
dentro da própria vida, o encanto de viver.

Durante o meu tempo de ginásio, muitas vezes li e reli Guilherme de Almeida, tanto quanto lia J.G. de Araújo Jorge. Tenho certeza que a maioria dos jovens de hoje nunca ouviram falar deles. Entretanto são escritores, poetas famosos, evoluídos dentro da filosofia do seu tempo. Falavam do amor e da vida com muita realidade, usando palavras e termos considerados proibidos. Como eu sempre gostava e gosto ainda de quebrar regras mal definidas, lia meus livros escondida à pedido dos meus pais que embora fossem bastante liberais, ainda viviam presos numa sociedade hipócrita que preferiam fechar os olhos à admitir que sexo, prazer, carícias faziam parte das nossas vidas. Em nome do Pecado tudo era proibido. Beijar na boca podia engravidar! Quando já na adolescência, mesmo sem rebeldia, continuei sendo curiosa de tudo o que acontecia. Até, encontrar o meu primeiro namorado, aos dezessete anos, com quem tirei muitas dúvidas de um jeitinho bem agradável. Na poesia acima, Guilherme de Almeida mostra as divergências da vida. Os pensamentos se diferenciam de acordo com nosso jeito de viver. Todos nós, podemos ter pontos de vista diferentes. Somente numa coisa somos iguais em todos os sentidos: No momento da morte, até onde podemos visualisar todos somos iguais. E quanto, ao nascimento também não somos tão diferentes: Como disse o sábio: esta existência, não vale a angústia de viver. Será? Pense nisso! Mas pense hoje, agora! Amanhã poderá ser tarde. Voltando aos poetas, esta poesia de G. de Almeida, sempre me levou a questionamentos existenciais. Ainda hoje, ela mexe comigo e por causa disso resolvi fazer uma resposta dentro do meu contexto atual.

Resposta
Marlene O Fortuna


Com a experiência da minha pobre sabedoria, Fico imaginando, como nesta poesia, Que somos efêmeros passageiros desta vida. Corremos como quem corre de uma briga, E, quando damos por conta lá se foi nosso tempo, Na velocidade dos maiores ventos. Somos vencidos num segundo, Acabam-se os sonhos deste mundo. Quando chega a realidade, a derradeira verdade, Lembro-me do que dizia o monge, somos apenas relâmpagos. Rasgam o céu, entre as nuvens, como fazem os perilampos, Que cruzam, quase queimando as asas, as luzes acesas das casas, Esquecendo que ao amanhecer o dia, Acabam-se as fúteis fantasias. Caídos sobre a mesa vazia, deixamos de repente o resto da nossa história, Não conseguimos nem mesmo saborear a vitória. É o momento do pobre que não acredita em Deus, Agradecer pelo pão, envenenado que ele na fome comeu. E os risos derramados tornam-se prantos sufocados, Que durante as noites acordados, deixamos cair um dia. Neste momento, a mulher nos manda fechar os olhos, Quer de novo nos ver sonhando, nada de lenços molhados. Que importa os quatro círios acesos, Se, estou deitada na mesa, meus músculos e nervos já tesos. A vida começa agora, a célula orgânica se transforma, Dentro da morte, existe o encanto de morrer! Precisamos bem depressa, antes que a ciência acorde, Encontrar na própria vida, O ENCANTO DE VIVER!!!



Marlene O Fortuna

A essência


Eu nunca pedi para nascer,
Mas muito tenho que agradecer,
Poderia muito bem ter sido,
Da natureza um aborto,
E tudo estaria morto,
Estaria na estatística,
Daqueles que não vingaram,
Não precisaria ter o status,
De todos que como eu lutaram,
Para conseguir a sonhada felicidade,
Eu não precisaria esconder,
Minha verdadeira identidade,
Que hoje vive em mim,
Até por que, aqui eu não estaria.

No entanto, ao nascer,
Comovi com meu pranto,
Num bonito berço enfeitado,
De rosa e branco, afofado,
Colocaram-me naquele dia,
Alguns riam, outros choravam cheios de alegria,
Nesse dia, eu nada entendia, saciava minha fome,
No peito de minha mãe, sorrindo deitada no leito,
Que cheia de orgulho me exibia,
Ao mesmo tempo pedia à doce Virgem Maria,
Que eu fosse feliz, que no mundo eu tivesse alegria!!!
Foi necessário passar algum tempo.

Nem sempre rápido quanto o vento,
E na medida que eu crescia,
Foi ficando para trás lentamente,
Minha infância, meus sonhos de adolescente.

Tornei-me uma adulta bem depressa,
Para ser mãe, sempre tive muita pressa.
Queria nos braços aninhar meus filhos,
Meus rebentos tão sonhados,
Hoje, com os anos passados,
Revejo o tempo caminhado,
Hoje sou um fardo pesado,
Quase nem sei mais sonhar.

Sou folha verde arrancada,
Da vida esse imenso pomar.
Não quero morrer pisoteada,
Como uma velha folha amarelada,
Que cai da arvore, sem vida,
Sem carinho sem guarida,
No meio das outras jogada,
Sem ter um arrimo sem nada,
Tudo o que eu tinha o mundo me tomou.

Só não pode levar-me a essência,
Essa, eu nunca dou. Eu quero somente SER....
Caída, mas cheia de vida!
Abatida, mas por mim mesma amada.
Não dou valor ao TER...
Äs vezes nos meus devaneios loucos,
Fico comigo a pensar: Se eu não pedi para nascer...
Não tenho nenhum direito,
De pedir para MORRER!!!



Marlene O Fortuna

Seus pés sobre meu coração


Desde o dia em que tu nasceste, eu criei a ilusão, dentro de mim, que poderia caminhar por ti. Imaginei que colocaria teus pés sobre os meus e te levaria pelos caminhos que eu julgasse mais tranqüilos e seguros.
Dessa maneira, tu nunca feririas teus pés pisando em espinhos ou em cacos de vidro e jamais se cansaria da caminhada, nem mesmo precisarias decidir qual estrada tomar. Isso seria eternamente minha responsabilidade.... e foi assim durante um bom tempo, caminhei por ti, para ti.
De repente, o tempo veio me avisar bruscamente que essa deliciosa tarefa não faria mais parte dos meus dias.Teus pés cresceram e eu já não conseguia mais equilibrá-los em cima dos meus, daí quando eu menos esperava eles escorregaram e alcançaram o solo.
Hoje sou obrigada a vê-los trilhar caminhos nos quais os meus jamais os levariam e ainda tento detê-los insistentemente, mas só raríssimas vezes consigo. Agora só me é permitido correr com os meus junto aos teus e em certos momentos teus passos são tão largos que quase não posso acompanhá-los.
Atualmente, assisto aos teus tropeços sempre pronta para levantar-te das tuas quedas.Por vezes, tu me estendes as tuas mãos em busca de socorro, outras, mesmo estando estirado ao chão e ferido, insistes em levantar-te sozinho por puro orgulho ou para me provar que já és capaz de erguer-te após teus tombos e curar-te de tuas próprias feridas.Assim vamos vivendo e sinto uma saudade imensurável daquele tempo que precisavas de mim para conduzi-lo, pois era bem mais fácil suportar teu peso sobre meus pés, do que sobre meu coração.
No entanto, já consigo compreender como a vida é sábia.
Percebo, finalmente, que em algum momento tu precisaste mesmo desbravar teus caminhos independente de mim... como eu, é provável que tenhas que fazê-lo com mais alguns pés sobre os teus, os dos teus filhos. Não, claro que não é uma tarefa fácil, mas se eu consegui, tu também conseguirás porque plantei em teu coração o melhor e mais poderoso aditivo para que suportes tanto peso, o amor!

Dedicado aos meus filhos Tatiana e Junior e minha neta com 6 anos Júlia Maria

Marlene O Fortuna

Você sabe dizer não?



APRENDENDO A DIZER “NÃO”




Uma das grandes dificuldades das pessoas é a incapacidade de dizer “não”. Quantas vezes você se colocou em situações embaraçosas por receio de dizer “não”. Você não precisa provar nada a ninguém. O que os seus amigos pensam de você é um problema deles. Seja fiel a você, aos seus sentimentos. É comum ver jovens envolvidos com drogas porque tiveram medo da crítica de seus falsos amigos. Adolescentes tendo que transar com mulheres com quem não tem a menor afinidade para provarem aos “amigos” que são homens. Absurdo. O homem que é Homem não precisa provar nada a ninguém porque ele já É. Só quem é covarde precisa provar aos outros que é corajoso. Toda vez que você toma uma atitude seja ela qual for, você sempre receberá aplausos e críticas. Se você tem a coragem de ser você, de ter uma opinião contrária a todo grupo e assumir sua posição com inteligência, dignidade e refinamento, parabéns! O verdadeiro amigo respeita a sua decisão. A única aprovação que você realmente precisa é a sua. Não permita que as pessoas invadam os seus espaço. Tenha a determinação de ser você. Texto extraído do livro: Liberdade. Tem muito pouco tempo que eu estou aprendendo a dizer não. Em algumas situações o meu não tem sido em forma de atitudes. Antes, eu sempre fazia de tudo para deixar todo mundo satisfeito. Em algumas situações tive que me violentar, psicologicamente falando para dizer sim, mesmo estando indisposta, cansada, se alguém me pedia para fazer um bolo, para levar em algum lugar, ou até mesmo ir num aniversário eu nunca dizia não.Hoje, ainda tenhoque aprender para não ser usada e convencida a fazer algo que eu na queira. Tenho a impressão que choco mais com minhas atitudes do que com o meu não. Outro dia, estava na casa de alguém e percebi muito sutilmente que eu estava como peixe depois de alguns dias, ou melhor, incomodando. Não tive dúvidas, escrevi um bilhete agradecendo por tudo e me mandei. Bem recentemente, deixei de ganhar determinadas coisas, dizendo que não mais preciso delas por que percebi que aquilo era uma maneira de algumas pessoas se colocarem em situação de superioridade diante da minha necessidade de aceitar o que me era oferecido. Hoje, posso até pedir para alguém se acaso precisar, mas peço EMPRESTADO, fazendo sempre questão de devolver. Dizer NÃO para algumas coisas, me devolveram parte da minha auto-estima e da minha dignidade como ser humano.



Marlene O Fortuna

OBS: JESUS CRISTO NÃO FEZ QUESTÃO DE AGRADAR A TODOS!!!

Como é difícil se amar!


Quando eu me amei de verdade, eu pude compreender que em cada circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar!
Quando eu me amei de verdade, pude perceber que o meu sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade. Quando eu me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente, comecei a ver que tudo o que me acontece contribui para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não esteja preparado. Inclusive EU mesma!
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: PESSOAS, TAREFAS, CRENÇAS e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha RAZÃO chamou isso de EGOÍSMO, mas hoje eu sei que é AMOR-PRÓPRIO. Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo LIVRE e desisti de fazer planos.
Hoje eu faço o que eu acho certo, dentro do meu RITMO.
COMO ISSO É BOM!!!
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre RAZÃO. Com isso errei muitas vezes. Mesmo assim não liguei. Afinal, quem nunca errou?
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e parei de me preocupar com o futuro. Isso me mantém no PRESENTE, que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me ATORMENTAR e também pode me DECEPCIONAR, mas quando eu a coloco a serviço do meu CORAÇÃO, ela se torna uma grande e valiosa ALIADA!!!
Hoje, dentro da minha depressão, porém lúcida nas minhas colocações, sei que nunca me amei, preferia amar aos outros. Não que eu não os ame ainda. Jamais deixarei de amá-los. Mas amo primeiro a mim mesma, só assim poderei amar aos outros!!!



Marlene O Fortuna

Acreditei num raio de sol


Ontem, saí com meu garotão agora 13 ou 14 kg mais magro, para tomar uma injeção e no caminho fomos conversando sobre meus problemas emocionais principalmente sobre a minha preocupação com minha filha mais velha, irmã dele que mora distante um pouquinho de mim. Ele me dizia que nós duas, eu e ela precisávamos parar de nos machucar com discussões bobas, pois um dia, poderia ser tarde demais para as duas. Eu rebati falando que no papel de mãe, falhei muito por que não disse as coisas nas horas certas.
Fui deixando, em nome da harmonia de expressar minhas mágoas, meus desagrados e principalmente deixei que ela pensasse que eu era conivente com todas as situações vivenciadas longe de mim. Quantas vezes tive vontade de dizer que não me agradava determinadas amizades, as atitudes do ex-namorado. Até mesmo da falta de atenção que me era dispensada por ela nas minhas raras visitas em sua casa.
Na verdade, eu tinha e tenho muitos ciúmes dela com suas amizades de lá. Entretanto fui deixando, fazendo de conta que não ligava, com cara de paisagem para todos, como ela mesma costuma falar. Acho até mesmo que ela tem todo o direito de se zangar de novo por eu estar expondo esse tipo de sentimento no blog, mas o meu compromisso é primeiro comigo mesma, e todos que lerem e acharem ruim não TÔ NEM AÍ, como diz a música.
Meu blog é uma terapia, onde eu falo dos meus problemas, escrevo meus poemas, dou meus recadinhos, faço poesias... Voltando à conversa com meu filho, ele me questionou sobre o por que de eu não sair de casa, há quanto tempo eu não ia à missa, chegou a falar que eu estava cultivando o ÓCIO.
Nisso chegamos em casa e antes que eu descesse do carro disse a ele que eu curtia minha casa, ir à missa aos sábados como é celebrada aqui cada 15 dias não me atraia, até mesmo por que fui sem faltar um dia sequer durante 14 anos na missa, recebia a Eucaristia diariamente e DEUS tem muito mais misericórdia comigo por que sabe minhas dificuldades. Disse também que minha fé continua cada dia maior para que ele não se preocupasse, eu estava escrevendo muito, minha casa é um brinco de limpa, curto-a demais, estou sempre fazendo doces, bolos, pães, inventando pintar móveis, enfim minha vida está do jeito que eu gosto!
Para terminar ele então me disse: Mãe faça como algumas flores que se recolhem durante a noite e desabrocham pela manhã. Eu desci do carro, ele foi embora e eu fiquei com aquela frase na cabeça. Hoje, amanheceu chovendo aqui o que não acontecia há uns nove meses. Adorei o barulhinho da chuva, andei com minha neta na chuva, enfim matei minha saudade de chuva. Apesar de tudo a frase continuou lá na cabeça.
Mais ou menos às 11 horas da manhã, a chuvinha deu uma parada e olhando para o meu jardim com um pequenino raio de sol entre nuvens carregadas havia flores se abrindo, aquelas baldias que conhecemos como onze horas. Estas florezinhas abrem-se e logo depois se fecham antes ou um pouco mais de uma da tarde. Logo, a chuva voltou forte e a flor se fechou, escondendo-se de novo. Eu sou como a onze horas, me mostro pouco, o suficiente para que um raio de sol, mesmo entre nuvens me veja. Não pensem que é por modéstia. Nada disso! É que eu gosto de ser diferente. Não me exibo o tempo todo. Quando o faço, no entanto, revelo uma beleza diferente, exótica como a minha maneira de ser. Tenho muito caminho para percorrer até livrar-me dessa doença terrível chamada DEPRESSÃO. Segundo a médica Ana Beatriz Barbosa Silva, pós-graduada em psiquiatria pela UFRJ, com especialização em medicina do comportamento pela Universidade de Chicago (EUA), autora de Mentes Inquietas, a depressão não é uma falha de caráter, muito menos é inventada para chamar atenção.
A depressão quando no seu estágio agudo, o paciente portador sente-se como um doente em estado terminal. A vida perde todo seu sentido e o caminho por vezes mais fácil é o da morte. Porém, tem cura, tem tratamento graças a Deus. A melhor maneira de amenizar o depressivo é o carinho, principalmente o toque físico, um abraço, um passar de mãos pela cabeça, um beijo. Vou deixar com vocês a letra de uma música do maluco beleza Raul Seixas, que explica mais ou menos meus sentimentos quando no auge desse martírio: “Assim como todas as portas são diferentes aparentemente”. Todos os caminhos são diferentes, mas vão dar todos no mesmo lugar.

SIM O CAMINHO DO FOGO É A ÁGUA...
ASSIM COMO O CAMINHO DO BARCO É O PORTO...
O CAMINHO DO RETO É O TORTO...
O CAMINHO DO ACASO É A SORTE...
O CAMINHO DA VIDA É A MORTE.

(Raul Seixas-Caminhos II )


OBS: Faça como eu, acredite no seu raio de sol.


Marlene O Fortuna

Apresentando um jovem poeta...





Solange Fallador (Poetisa)

Beija-flor!
Que bom te ver,
Preciso tanto de você!
Em que posso ser-lhe útil,
Eu, um simples passarinho?
Quero suas asas,
Depressa, por favor.

Minhas asas, Assim me pedes?
Onde fica o meu pudor?
Ora, ora, meu amigo,
Não as beija com amor?
Pois então consuma o ato,
Deita o teu corpo na flor.

Já estou ficando nervoso,
Preciso urgente saber,
O que pretendes amigo,
Com as minhas asas fazer?

Calma, amigo,
A você posso falar,
Mas, não espalhe para as flores,
Que de mim irão debochar.
E que amo uma estrelinha,
Muito bela, engraçadinha,
Resolvi ir até lá.

Nestas horas sou poeta,
Sou louco, sou sensual!
Vou sufocá-la de beijos.
Apaga-la com carinho,
Fazer do céu nosso ninho.

Demonstrar o meu amor!
Nem que para isso precise
Das asas de um passarinho
Que deita o corpo na flor!



Resposta do Beija-flor

Geraldo Simões Fortuna Junior
Feira do Livro – Escola Girassol – 19, 20, 21/07/1989
Concurso de poesia 1o. Lugar – aluno da 4a. Série B
10 anos de idade

Você quer as minhas asas,
Para uma estrelinha namorar?
Porque não usa as suas
Para ela alcançar?
Porque as minhas asas
São bem curtas,
Não há como alcançar.

Ah é?
E, e tem mais,
Tuas asas são tão belas,
Que ela vai admirar!
Se eu fosse com as minhas,
Ela ia me rejeitar.

Mas, seu besouro,
Se eu ficar sem minhas asas,
Os homens vão querer me aprisionar.
E eu seu beija-flor?
Eles já gostam de me esmagar...
Mas, eu prometo,
Vai ser só uma espiadinha,
Volto já.

Está bem, está bem,
Deixe eu me deitar,
E você já pode voar!
Obrigado! Obrigado!
Logo eu vou voltar
Fique aqui, senão não vou te encontrar.

Créditos:
Solange Fallador – Poetisa
Dr. Geraldo Simões Fortuna Junior – Hoje advogado


Marlene O Fortuna

O Sonho de ser Mãe e Avó


“PARA MEUS FILHOS TATIANA E JUNIOR”


Em meus sonhos, filhos amados, eu já os conhecia, Nos pensamentos ou nas minhas fantasias, Vocês chegavam na minha vida, Tuas imagens queridas foram concebidas. Desde o tempo da minha meninice, nas brincadeiras ou nas peraltices, Eu os via, correndo cheios de alegria. Vocês foram inspiração para minhas poesias, Habitavam em meu coração, invadiam minha emoção. Faziam parte do meu Eu pequenino. Eu os embalava em meus braços, quando embalava minha velha boneca de pano. Nas minhas preces eu sempre pedia que num dia, em qualquer ano, Como nos meus raros contos de fadas, Tatiana, minha amada, Tu eras minha heroína, e Junior meu príncipe cavalgando. Vocês foram os donos do meu caminho, flores sem espinhos. Hoje rendo louvores a Deus, que tudo fez realidade, Ele permitiu que com 26 e depois aos 29 anos de idade, Estando já em madura idade, a Glória de ser Mãe com muita dificuldade, Consegui gerar estas lindas criaturas, sonhos da minha mocidade. Eu os abençôo filhos queridos, por terem dado formato, Por darem força ao meu viver, hoje sou eu quem acato, Seus conselhos, seus carinhos, suas broncas, suas ausências, Fico aqui, rezando muito, pedindo a Deus paciência. Vocês fizeram com seus nascimentos minha vida mais risonha, Minha longa caminhada teria sido tristonha. Naqueles dias, os mais felizes de todos que eu já vivi, Foram momentos, datas e lugares diferentes, Mas, a emoção que toda Mãe sente e que nunca mais revivi, Foi com certeza, a maior de todas, Quando, em janeiro de 76 e em abril de 79, Em meus braços, em lágrimas e abraços, eu os ACOLHI!!! Desta mãe, que sempre os espera seja no tempo que for.


Marlene O Fortuna



PARA MINHA NETA PRIMOGENITA JULIA MARIA NASCIDA EM 25 DE DEZEMBRO DE 1999 COMO PRESENTE DE NATAL!

Nos meus acalantos para Júlia, em teus olhos eu me vejo, No seu olhar cristalino, eu sinto um grande desejo, Quando eu a embalo em meus braços, minha doce menina, Eu peço a DEUS que me conceda, transformar meu coração, Num coração de criança, trazendo de volta a pureza, a esperança, Quando ouço tua vózinha, tão doce, pura e mansa, dizendo vovó eu te amo, Revelando tanta ternura, enchendo nossa vida de doçura. Ela sempre me transporta para um jardim todo em flor, Onde só existe a exuberância do Amor. E nos vôos da minha fantasia, eu me faço outra vez pequenina, Enchendo minhas tardes de alegria, volto a ser menina, Encantando-me com pássaros, com o céu, torno-me Hermione, Entrando nas suas estórias, de magias, de alguém especial, Que eu não posso falar o nome, é nosso segredo guardado, Ela tira o frio deste meu inverno, e com seu sorriso terno, Faz de mim o que bem quer, até brigadeiro de colher, Então, me lanço nos braços de DEUS, pedindo por este mundo louco, Onde o adulto já não enxerga o bem que está oculto, No olhar de uma criança que sempre nos trás esperança. Peço a DEUS que IMPRIMA para sempre em minha RETINA, A inocência de Júlia, quem sabe assim eu consiga, Ter um olhar transparente, ser mãe, avó e uma cristã coerente. Quero ter de JESUS os GESTOS e a FEICÃO, de Julia Maria eu quero, Que ela sempre me traga dentro do seu coração!!!!


Vovó Marlene

Antes de ganhar, precisamos aprender a perder...


Recentemente, tive a oportunidade de conviver ou, melhor de conhecer dois jovens, uma menina de 17 anos e um garoto de 18 anos. Ambos estavam se preparando para fazer o vestibular de medicina (nada fácil), estudavam sempre juntos depois do cursinho, revisando as matérias, enfim, um aprendendo com o outro. A única diferença entre eles é que o jovem rapaz já havia feito outros dois vestibulares, e perdido enquanto que ela era sua primeira experiência. Talvez por ser de família humilde, sem muitos recursos, o menino aproveitava cada tempinho que tinha para estudar independente do cursinho ou de estar junto com sua parceira de estudos, repassando depois para ela algum assunto que aprendia sozinho. A amizade entre eles era bonita de se ver. Finalmente, chegou o dia do tal vestibular. Ambos passaram na primeira fase e comemoraram juntos, a primeira vitória. Quando chegaram na segunda fase, o garoto passou e a menina perdeu. A reação desta garota me chocou. Ela simplesmente se revoltou contra todos, isolou-se e até o amigo com quem estudava, deixou de lado. Claro que é difícil a sensação de perda, seja ela qual for, porém ninguém teve culpa do seu fracasso, se pudermos chamar assim. O que sei é que eles se perderam como colegas, como amigos, restando no meu ponto de vista a impressão de que será difícil aquela garota conviver com as perdas da vida, a menos que sua família a ajude e muito.

Eu contei este episódio, para poder falar um pouco sobre as perdas e os lucros da minha vida. Fui criada com simplicidade, meus pais trabalharam muito para dar a mim e as minhas irmãs, uma vida digna, com valores éticos, com responsabilidade e com liberdade para escolher nossos caminhos. Uma coisa, porém meus pais sempre nos alertaram: As consequências das nossas opções.
Eu me casei depois de formada, já trabalhando e posso dizer com orgulho: nunca bati na porta dos meus pais ou da família de meu marido para reclamar ou para pedir alguma coisa. Com exceção de uma vez há pouco tempo, pedi mil reais emprestados para minha sogra para comprar medicamentos. Em 1998, precisamente no dia 26 de fevereiro a fábrica onde meu marido era sócio gerente além de ser, o dono das patentes que originaram a fábrica, foi literalmente roubado pelos seus sócios dos quais não tenho vontade nem de citar seus nomes, pois eu iria sujar meu blog, que está sendo feito com muito carinho, com muito amor e principalmente com muita Fé na justiça de Deus. Além disso, eles sempre se sentiram impunes pelo poder político e econômico que possuem. Não tenho receio deles, eu só tenho nojo de falar e expor algumas coisas que podem ferir e surpreender outras. Mas, tenho que Deus que tudo viu e tudo sabe, já está agindo como nosso JUIZ. Talvez não seja da forma que pensamos, mas da forma DELE no momento e na hora em que ELE próprio vai escolher. Com isto, perdemos tudo que tínhamos, até mesmo a possibilidade de lutar contra eles na justiça, pois não havia situação financeira para tal. Embora abatida, decepcionada, nunca ninguém me viu chorando desesperada, nem mesmo revoltada, afinal, a opção de confiar neles, foi nossa e teríamos que seguir em frente, a vida não iria parar por nossa causa.
Nos meus piores momentos, Deus estendeu sua mão, ajudou-nos a levantar e hoje começamos a pensar que foi tudo para o nosso bem. Louvamos todos os dias a Deus pelo que perdemos. Só assim pudemos ver a determinação dos nossos filhos, sua firmeza de caráter, seus valores e princípios tão bem aprendidos e vivenciados, hoje na profissão de advogados que exercem com ética e profissionalismo exemplares.
Quanto a mim, chorei muitas vezes debaixo do chuveiro, tive muita pena de meu marido, sempre dedicado ao trabalho e de repente, sem nada. É muito duro!
Houve dias, principalmente após o nascimento de minha netinha, que tive medo. Era como se eu tivesse perdido a rota, o rumo, não conseguia enxergar meu horizonte, mas sabia que DEUS estava comigo, eu não me vi um só dia sem ELE. Claro que experimentei angústias quando via a geladeira e a dispensa vazias. Eu estava como num barco a deriva com as velas rasgadas. Muitas vezes, não consegui livrar-me das minhas próprias interrogações que se interpunham entre mim e o futuro. Sentia o martírio das encruzilhadas, sentia a tortura do tempo que não passava, da voz sem respostas de DEUS. Mas, nunca me afastei DELE. Eu ia pelo rumo dos seus olhos e posso dizer com a segurança de quem tem Fé: Eu consegui chegar!
Por isso, eu reafirmo, embora este não seja um blog de auto-ajuda, sem fé em Deus, tudo em nossa vida se torna uma perda, até mesmo um importante, porém simples vestibular. Precisamos trabalhar mais a nossa autoconfiança. O mundo de hoje só nos mostra valores materiais. Para ser feliz preciso ter o carro do ano, o celular mais caro, morar num bairro ou condomínio de luxo. Para ter tudo isso, precisa ter dinheiro e para se ter dinheiro, nada posso perder.
Eu sei que muitas vezes temos o direito de nos sentirmos desencorajados, sem esperanças, desapontados, fracassados, nenhum de nós é desprovido do sentimento de impotência diante de alguns fatos. Essa falta de coragem é atributo de todo ser humano. Comigo não foi diferente. Só que nestas horas eu era ajudada pela fé. Então eu olhava para minha netinha, linda, sem nada entender daquelas lágrimas que rolavam dos olhos da vovó e enxergava um mundo cheio de possibilidades, com esperanças. Qualquer que fosse a dificuldade ela podia ser superada. Nestes momentos não devemos ter culpa por sentir tais sentimentos. Mas, também não podemos jogar a culpa de tudo no outro. A nossa capacidade quando agimos com os princípios de Deus é cheia de esperança. As pessoas mais felizes e mais bem-sucedidas também um dia questionaram seus valores. Somente com fé e com autoconhecimento superamos as adversidades. Vejam por exemplo a história de Abraão Lincoln: Duas vezes fracassou nos negócios perdendo tudo, candidatou-se à legislatura estadual e para o congresso e duas vezes fracassou. Foi derrotado duas vezes nas votações para o Senado. Trabalhou arduamente para se tornar presidente dos Estados Unidos, sem sucesso. A mulher que ele amava morreu muito jovem. Finalmente ele sofreu um colapso nervoso. Em meio a tudo isso ele encontrou forças (não terá sido em Deus?) para continuar a vida e se tornar finalmente Presidente. Eu não sou nenhuma Abraão Lincoln, contudo muito aprendi com o seu exemplo. Por que alguma coisa saiu errada isso não significa o fim do mundo. Na verdade pode ser o desafio que precisamos para nos alertar das nossas forças. Sem querer plagiar uma famosa autora de livros de auto-ajuda, na minha insignificante terapia, escrevendo este blog, devo dizer que a vida é feita de Perdas e Ganhos. Precisamos aprender com os dois, tirando sempre vantagem e aprendizado das perdas sem nos tornarmos arrogantes com os ganhos.
TUDO NOS E DADO POR DEUS!!!



Marlene O Fortuna

Uma visita muito especial


Desde pequena, quando tinha mais ou menos cinco anos, descobri em mim, embora eu não soubesse o que era, o dom de ser mística. Acreditava, como acredito até hoje, que Deus existe, que se eu me colocasse junto com a minha família, sob o manto de Nossa Senhora Aparecida, cuja devoção herdei de minha mãe, nada de mal nos aconteceria. Logicamente, naquele tempo, o mal para mim era completamente diferente dos tempos de hoje.Não pensava em violências, assaltos, seqüestros, estupros, crimes cometidos por crianças e adolescentes, corrupções abertamente terminando em pizza, etc. Eu tinha medo de morrer, de perder meus pais, tomar injeção, acidentes com minhas irmãs. Certamente que já deviam existir, algumas coisas que acontecem hoje, porém, aconteciam na calada da noite, e o povo nada ficava sabendo; ainda mais na pequena cidade onde eu morava, Iperó, no interior de São Paulo. Mas, voltando ao meu lado místico, eu costumava ir á missa todo domingo, confessar meus pecadinhos ao padre, comungar, houve época que até freira quis ser, inspirada por uma jovem da cidade que foi para o convento. Quando cheguei aos treze anos mais ou menos, embora acreditando em Deus e em Maria Santíssima, até mais do que antes, descobri que o mal era muito mais daquilo que eu pensava e, que EXISTIA tanto quanto Deus. Cabia a eu decidir entre os dois. Foi quando veio a revolução de 64, meu pai um simples líder sindical, ao mesmo tempo em que era vereador presidente da Câmara, foi presos acusado de comunista, agitador, etc...(foi libertado alguns dias depois) eu tinha 14 anos e, assustada briguei com Deus (como se isso, fosse possível), afastei-me um pouco das missas, das procissões, das filhas de Maria. Também nesta época começaram os namorados, os primeiros bailinhos, os pecados já não eram tão pequenos e por conveniência, fiquei um grande período longe da Igreja, apesar de sentir fé em Deus. Casei-me na igreja de Santo Antonio, no Embaré, um bairro em Santos onde já estávamos morando há alguns anos. Eu estava com 22 anos, tinha passado pelo ano de 68, quando fiz o meu vestibular e, sinceramente a faculdade de Direito que nem cheguei a terminar nada acrescentou á minha fé. Ao contrário, eu ouvia alunos veteranos falarem: Deus? Quem é ele? Só acredito se estiver num frasco de laboratório! Como posso ver, eu não tinha muita motivação para crer e, no entanto, continuava a sentir a mesma fé. Depois de casada, já com dois filhos, o menor com três anos e a maior com seis, morando em Salvador, na Bahia comecei a sentir a necessidade não apenas de rezar em casa, mas de ir á igreja. Porém nunca sobrava tempo para Deus. Nossos fins de semana eram preenchidos por praia, clube, cinema com as crianças. Um dia, daqueles que parece que temos um buraco no coração, um vazio na alma, sem mais nem menos, apareceu lá em casa, duas senhoras distintas, pertencentes da Legião de Maria e, pediram para subir, pois, aquele dia, era a visita delas no meu prédio. Devido ao meu estado de carência, e a vontade de ouvir falar de Deus, deixei que subissem. Elas, as legionárias, foram instrumentos do Espírito Santo naquele dia para mim. Depois de ouvirem minhas lamúrias e, vendo minha tristeza com saudades do PAI, uma delas, com idade para ser minha mãe, médica, me perguntou se eu gostaria de fazer um CURSILHO de CRISTANDADE que significa, pequeno curso de Cristo. Ela disse que era um movimento de Igreja eletizado, com vagas que precisavam ser pré-aprovadas e, por acaso havia tido uma desistência que ela iria tentar conseguir para mim. O tal curso, seria dentro de dois meses, durava três dias e uma noite, não haveria comunicação direta com ninguém e nada mais poderia ser dito, além de se exigir um sigilo absoluto após o mesmo caso eu o fizesse. Do jeito que me sentia naquele dia, qualquer proposta que me prometesse preencher o vazio, a insatisfação sem motivos, que eu estava sentindo, teria sido aceita sem pensar (vejam aí a mão de Maria). Eu poderia ter recebido outro tipo de proposta que não viesse de Deus. Quando elas foram embora, apesar de mais aliviada, só pensava num jeito de contar ao meu marido, pois, além de um tanto ciumento, ele não era nem um pouco católico. Sua experiência com Deus nunca passou de atos meramente sociais como a primeira comunhão, o nosso casamento, e o batismo dos nossos filhos. Para minha surpresa, quando contei a ele, achou ótimo! Disse que estava me achando estressada e alguns dias fora poderiam me fazer bem. Eu até estranhei seu comportamento. Questionei com quem deixaria os meninos e ele falou para não me preocupar ele faltaria no trabalho na quinta-feira e sexta-feira já que seu cargo era de confiança, e a fábrica lhe devia alguns dias. Na semana seguinte, me ligaram da coordenação do movimento comunicando que minha ficha fora aprovada, que eu só levasse na mala roupas pessoais e confortáveis, os medicamentos especiais caso estivesse tomando, chinelos ou sapatos baixos. Marcaram o lugar onde eu teria que me apresentar no dia, a hora e uma pequena taxa caso eu pudesse pagar. O não pagamento da taxa não teria nenhum impedimento. Se por ventura, eu não pudesse ir, tinha que comunicar para que outra pessoa entrasse no meu lugar. Durante os dois meses que faltavam, pensei muitas vezes em desistir. Meu marido, porém, contrariando seu comportamento habitual, me incentivava a ir causando em mim certa desconfiança. Tinha uma amiga, Fátima, que fazia brincadeiras dizendo que ele queria era ficar sozinho, e enquanto eu ficaria rezando o fim de semana ele com certeza iria se divertir. Mas conhecendo a pessoa com quem estava casada, decidi ir. Afinal, eu sempre poderia desistir e vir embora se não estivesse gostando. Quando chegou finalmente o dia, a esperada e temida quinta-feira, lá estava eu, com minha mala na mão, acompanhada de meus filhos e do marido que foram me levar. Juro que tive vontade de voltar correndo para casa. Aqueles rostos de pessoas estranhas, com exceção da pessoa que me convidara (madrinha) eu não conhecia ninguém! Após as despedidas, entramos todas num ônibus, éramos 50 mulheres acompanhadas de duas coordenadoras. As dirigentes iam em seus próprios carros, o que fiquei sabendo depois. Foram distribuídos uns kits contendo entre pastas, canetas, lápis e cadernos a letra de uma música, que nunca mais esqueci: Decolores Decolores decolores é a primavera florindo caminhos, decolores, decolores são todas as flores, são os passarinhos... e assim vai, a letra da música nos tocando e a melodia penetrando em nossas vidas para sempre. Demoramos uns 40 minutos para chegar. O lugar era realmente lindo! Pura natureza! O barulho do mar, batendo nas pedras, longe de outros barulhos do dia a dia, a brisa dos coqueirais, tudo levava a um clima de paz. Fomos muitas bem recebidas e depois de nos acomodarem em nossos respectivos quartos, duas em cada um, simples, porém limpos, com detalhes pequenos, singelos que nunca serão encontrados, em nenhum hotel cinco estrelas. Não falarei do que aconteceu lá durante os três dias, inclusive nesta primeira noite, que foi importantíssima! Até mesmo, em respeito à promessa do sigilo. Só posso dizer, que me encontrei pessoalmente com Deus, conheci o poder do Espírito Santo e desde então me transformei em outra Marlene. Na noite de domingo, ao encontrar minha família, apesar dos pés inchados, do cansaço, havia algo diferente em mim, um brilho nos olhos impossível de não ser notado. A minha mudança em atitudes foi transparente, tanto, que para minha alegria alguns meses depois sem que eu nada falasse, meu marido, pediu e foi convidado para participar do próximo cursilho para homens executivos. Durante uns dez anos, trabalhamos ativamente no movimento, até que nossos filhos começaram a participar de grupo de jovens e fomos trabalhar com a Pastoral da Juventude em nossa paróquia. Nosso primeiro grupo começou com vinte e dois adolescentes de quatorze anos aumentados para cinqüenta em cinco meses. Hoje, eles são jovens adultos, alguns já são pais de família, como é o caso de meu filho, quase todos perseveram na caminhada engajada em outras pastorais, uns são médicos, advogados, engenheiros. Os que não participam de movimentos, levam Deus para seus trabalhos cumprindo aquilo que Deus quer de nós: FERMENTO na MASSA, SAL e LUZ na Terra. Os que não perseveraram possuem a sementinha plantada no coração, e, se Deus quiser um dia darão frutos. (Muitos são chamados, poucos são os escolhidos). Voltando para minha conversão, continuo mística, minha Fé hoje é madura, estudei Teologia durante três anos, fiz muitas palestras para escolas, empresas e igrejas. Trabalhei como catequista durante 12 anos em minha paróquia em Salvador, sou apaixonada por JESUS CRISTO, SENHOR da MINHA VIDA, amo Maria como minha intercessora e minha mãe, sei que sou templo do ESPIRITO SANTO. Em 1998 por motivos financeiros, vim morar aqui em Juazeiro e como meu filho e nora me deram uma linda neta, hoje com seis anos, que nasceu no dia vinte e cinco de dezembro, com o nome de Júlia Maria estavam morando conosco, deixei minhas atividades pastorais para me dedicar a eles até terminarem a faculdade. Hoje, estão formados, morando na casa deles. São advogados. Em julho de 2005, minha filha que morava em Salvador, também advogada, sofreu um assalto, junto comigo e eu devido ao susto de ter uma arma apontada na cabeça, passei a ter depressão e síndrome do pânico além de um tipo de transtorno obsessivo compulsivo precisando fazer tratamento psiquiátrico e tomar medicamentos. Isso tem me impedido de ir a missa e até mesmo de rezar o que me deixa muito triste. Entretanto, ontem, domingo acordei após ter sonhado que eu estava numa igreja muito grande, que estava descalça e que o manto que eu usava nas costas tinha sido usado no altar. No momento da consagração foi que eu reconheci o manto, ao mesmo tempo em que uma senhora na igreja me deu um enorme pedaço de pão. Eu questionei o pedaço grande, e ela me mostrou outra senhora não só com um pedaço, mas com muitos pães inteiros para levar para casa. O sonho foi muito rico nos detalhes, a igreja estava sendo reformada, o detalhe do cálice, o tipo de papel que embrulhava o pão. Foi então que eu acordei, contei meu sonho e pensei comigo: JESUS veio me trazer a Eucaristia.O pão representava a Hóstia consagrada o manto queria me dizer que eu estava coberta pelo sangue de Jesus. Dentro desse meu lado místico eu disse para Jesus: Senhor, eu sei que tu não precisas de mim, porém, tu sabes o quanto eu preciso de ti. Hoje, logo pela manhã quando acordei recebi um telefonema de uma amiga, uma pessoa humilde que estava aflita para falar comigo. Ela, então me contou que no domingo, estava participando de um retiro da renovação carismática e, quando o SANTISSIMO passou por ela, sem saber porque, lhe veio na cabeça a minha imagem. Nesse momento, ela pediu ao Senhor Jesus que me visitasse e que eu pudesse receber das mãos Dele as bênçãos necessárias para ficar completamente boa. Liguei então o sonho com o fato e quem quiser que acredite: JESUS ME VISITOU! Para confirmar meu testemunho abri, ou melhor, já estava aberta, a minha Bíblia no salmo 126 que diz: Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não guardar a cidade, debalde vigiam as sentinelas. Inútil levantar-vos antes da aurora, e retrasar até alta noite vosso descanso. Para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá aos seus amados até durante o SONO. Aqui, termino meu testemunho, acreditando cada vez mais Naquele que me Fortalece. Não tenhais medo pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-vos o Reino. Tudo colabora para o bem daqueles que confiam em Deus Quem muito reza trás Deus para si. Quem tem Fé...Deus vai até ele Louvo a Deus pela minha Fé. Um dom que o próprio Deus nos dá. Peço á Ele por todos que ao ler este texto também um dia possam receber a VISITA ESPECIAL de JESUS, e senti-la no coração.



Marlene O Fortuna

E Agora!



Já algum tempo, todas as vezes que eu ligo a televisão para ver os noticiários, sinto vergonha por mim mesma como cidadã, e, por ter dado meu precioso voto, conquistado com tantas lutas, por tantos cidadãos mortos ou desaparecidos, para verdadeiros ladrões. Sinto-me traída ao mesmo tempo em que decepcionada com os representantes do povo, que eu ingenuamente, ajudei a colocar no poder, começando pelo Presidente da Republica, que enquanto faz sua propaganda política enganosa, vai deixando que seus assessores roubem o dinheiro público incluindo seu filho o tal Lulinha. O pior é que parece que o povo brasileiro, como o nosso hino diz: DORME EM BERÇO EXPLENDIDO A ambição de Lula é como a fome que ele diz ter passado: “SUA LEI DEPENDE DE SEU APETITE”. O resultado é terrível! O pior é que todos sabemos que ele passou dos limites. Seu governo é antiético, mau caráter e ganancioso. Sua vaidade é desmedida e, se não começarmos a AGIR AGORA, corremos o sério risco de que o nosso país se transforme numa Ditadura Comunista, como temos em outros países da América do Sul, que nem preciso citar seus nomes. VAMOS BRASILEIROS, ACORDEM! Afinal, a guerra civil está aí nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo. E, se precisamos lutar contra bandidos todos os dias, na luta pela sobrevivência, vamos também lutar contra os bandidos que estão aí por trás, incentivando cada vez mais os marginais do narcotráfico porque tem o rabo preso, mas principalmente porque estão no poder e se sentem impunes. Não sejamos omissos. Eu estou fazendo a minha parte. Meu voto nunca mais vai ser dado para qualquer um. Vamos tirar toda essa corja do poder. Como a propaganda diz: vamos escalar a próxima seleção, sem erros. QUANDO PENSO QUE VOTEI NELE!
Desculpem o desabafo!


Marlene O Fortuna

Amigo, um presente em nossa vida


Outro dia, a filha de uma amiga minha me mandou uma mensagem, falando sobre os vários tipos de amigos que vamos tendo durante as etapas da vida. Fernanda, esse é o nome dela, por sinal é filha de uma daquelas amigas, que entraram no meu coração, através de Deus e mesmo com todos os meus defeitos, mesmo com todo os defeitos dela (quem não os tem?) eu ainda assim, gosto dela como se fosse uma irmã.
Voltando aos tipos de amigos, temos os amiguinhos de infância, com quem brincamos e brigamos igualmente, inocentemente, sem qualquer competição a não ser os brinquedos. Depois, na adolescência temos os amigos das confidencias, para quem contamos do primeiro beijo, do primeiro namorado, da primeira decepção, e quando pedimos segredo de alguma coisa espalha para a galera toda. Ficamos adultos, e na medida que vamos amadurecendo, vamos também descobrindo quem na realidade podemos chamar de amigo. Seja ainda na faculdade, ou no trabalho, dificilmente achamos amigos verdadeiros, existe sempre a competição, da qual eu não sou contra desde que seja uma competição saudável, porém, podemos encontrar colegas maravilhosos nestes lugares, nunca ou quase nunca, a amizade acontece pra valer. Às vezes, até podemos nos reunir, bater um papo, mas as reservas persistem. Quando temos algum tipo de reserva com alguém, não podemos chamar de amigo.
Quando acontece então de estarmos crescendo, profissionalmente ou até mesmo como pessoa, estamos perto de alguma vitória, pela nossa competência, pelo nosso esforço de nos tornarmos melhores, aparecem, ou melhor, se aproximam de nós muitos se dizendo amigos. Estes, só querem nos usar, sugar nossos conhecimentos, testar muitas vezes até os nossos sentimentos, para depois, assim como entraram, saírem da nossa vida, deixando em nós a marca da desilusão e da falsidade.
Felizmente, é com esses rascunhos de amizade que aprendemos a ser seletivos. Vamos reconhecendo mais rápido, vamos aprendendo a diferenciar o verdadeiro do falso.
Amigo é como presente de natal: alguns em lindas embalagens, com conteúdo de um e noventa e nove, outros que chegam por sedex, trazem um monte de lembranças bonitas, mas duram muito pouco porque são descartáveis, tem prazo de validade. Há ainda aqueles que vem muito embrulhado e logo, perdemos a paciência, para tirar tanto papel que muitas vezes são de brincadeira. Tem aqueles presentes de amizade secreta que nunca chegamos a conhecer, nos são sorteados, como rifas que assinamos sem querer.
Porém, eis que a vida nos manda um presente pelo correio, amarrotado, mal embrulhado, quando abrimos é um lindo vaso de porcelana ou um bonito quadro de algum pintor famoso. Estes, quando o ganhamos e sabemos desembrulhar, devagar, com amor, quase sempre podem nos deixar felizes, mas os guardamos com cuidado porque podem quebrar e acabamos por não desfrutar do presente. Assim são os amigos cometas passam por nossa vida e se vão. Os amigos “ANCORAS” Também existem, são os que só nos querem pra baixo, não suportam ver o nosso sucesso, se afastam quando estamos vencendo. Eu os chamo de amigo urubu, adoram sentir o mau cheiro da nossa vida.
Mas, Deus existe e quando menos esperamos, nós encontramos amigos de verdade, em lugares que nem imaginamos: numa fila de banco, numa viagem de ônibus, num salão de beleza ou dentro de casa mesmo, numa diarista, num filho ou filha, basta olhar em nossa volta, ao nosso redor, muitas vezes numa pessoa simples, ou cheia de complicações, quem sabe? Mas, que preencha as requisitas como caráter, sinceridade, honestidade em quem podemos confiar, na tristeza ou na alegria, na vitória ou na derrota, pobres ou ricos, com carro ou sem carro, que pode perceber quando estamos com alguma necessidade, com quem podemos contar em qualquer tempo, perto ou longe, enfim que tenha um passado feio ou bonito, mas que mereça ser chamado de AMIGO.
Eles existem? Sim, existem. São poucos, mas verdadeiros e não importa se ficarmos longe, nossa conta bancária, ou nosso sucesso profissional, nem mesmo os nossos defeitos!
EU OS TENHO, posso contá-los nos dedos de uma só mão, mas posso chamá-los de AMIGOS. Este texto foi inspirado em minha família, marido, filhos, nora e neta, que suportam meus defeitos, sem omiti-los, que me amam apesar deles, com quem posso ser eu mesma, posso brigar, até mesmo magoar sem querer, querendo, mas me dão sempre a possibilidade de pedir perdão, assim como eu dou a eles meu amor incondicional, com direito a erros e acertos.



Marlene O Fortuna

Salmo de minha Vida



Eis-me aqui, Senhor JESUS carregando minha cruz,
Colocando-me como argila, que precisa ser moldada,
Para um dia, ser transformada num raio cheio de luz,
Não há nada neste mundo, tão bonito como o amor,
Que transborda, transparente como água cristalina,


Mesmo, quando permites que eu seja invadida por dor,
Consigo que minha fé permaneça dentro do meu coração,
Já não tenho motivo, nem razão pra deixar de acreditar,
Que TU estás a preparar um vaso novo pra TI.

E quando chega a noite, de ventos e tempestade,
Quando meu ser todo palpita e o meu mar se agita,
Fico em suas mãos segurando, rezando e jejuando,
Sei que tem que ser resistente o vaso que necessitas,
Para que suas águas benditas possam em mim ficar,
Tu tens muito que em mim trabalhar.

Não mais me maltratas e mesmo quando me feres,
Deixando minha alma em pedaços, eu sei que me refaço,
Em novo ser TU me fazes, restauras, meu coração,
Então, sou como uma nova canção, com melodia e letra,
Sou como um salmo cantando, louvando e entregando,
Tudo o que me acontece, eu preciso testemunhar.

Tenho que em breve espaço, levar aos meus irmãos,
A certeza da conversão, a paz que trás o perdão,
Merecer comer do pão, que no altar se transforma,
Junto com o vinho, em comida, pra toda alma abatida,
Alimentando não só minha vida, mas de todo aquele que,
De JESUS CRISTO precisar.



Marlene O Fortuna

Hoje eu amanheci triste...


Fui em busca de inspiração, procurei entre meus velhos cadernos alguma coisa para justificar a minha melancolia e encontrei como que por ironia, antigos versos que um dia na juventude escrevi e anotei. Percebi então, que foi o tempo, a vida que me fez ficar assim. Um dia triste no outro feliz. Na verdade eu me acostumei de tal modo com o meu jeito de ser que quase sempre estou feliz. Descobri que o meu riso, minha alegria às vezes são uma exótica maneira de ser triste. A maturidade vai nos ensinando a renunciar ao muito que sonhamos, que muitos dos nossos planos, não estavam nos planos de Deus. O plano de Deus para nós é sempre especial. O caminho é difícil, pensamos até que ELE está escondendo-se de nós, apagando a nossa luz, para sentirmos o calor do sol. ELE provoca então, um eclipse no nosso céu, nos deixa incomodados ou se preferirem inconformados, sem palavras, para revelar-se no nosso silêncio. Deus me deu quatro dons maravilhosos: Ser mãe, saber ser mulher, saber falar com esperança e escrever dos meus sentimentos. Tenho tentado multiplicá-los ou pelo menos conservá-los da melhor maneira possível para que no dia da verdade, ELE de nada me possa cobrar. Através das minhas tecladas, vou deixando um pouco de mim.Espero deixar no mundo o perfume que sai, do fundo do coração, trata-se do perfume de Deus, o AMOR ao meu irmão. Deixei que a mão de um sonho guiasse meu coração, traçasse o programa da minha vida, e o amanhecer da realidade apagou toda a miragem que eu tinha dos meus planos. E eu passei a correr e acompanhar a direção dos rios, a caminho do mar, quero ir ao encontro deste OCEANO que abraça a Terra. Faço questão de guiar-me pela bússola das galáxias na rota para o infinito... Regravei o programa de minha vida na rigidez das rochas e na grandiosidade do firmamento. Quero apertar a mão da Humanidade, receber os Abraços da Vida, fazer um pacto com o Amor, pedindo a DEUS que me mande uma grande Benção de Estrelas!...

Enquanto espero, vou escrevendo minhas poesias sem rimas, seguindo os passos que DEUS gravou no tempo da minha vida. Não me admirarei se um dia, descobrir que eu sou eterna, pois, DEUS é a Eternidade!...



Marlene O Fortuna

Para ser lido, principalmente por jovens


Mãe!

Fui a uma festa, e me lembrei do que você me disse. Você me pediu que eu não tomasse álcool, mãe... Então, ao invés disso, tomei uma "Sprite". Senti orgulho de mim mesma, e do modo como você disse que eu me sentiria e que não deveria beber e dirigir. Ao contrário do que alguns amigos me disseram, fiz uma escolha saudável, e seu Conselho foi correto. E quando a festa finalmente acabou, e o pessoal começou a dirigir sem condições... Fui para o meu carro, na certeza de que iria para casa em paz ... Eu nunca poderia imaginar o que estava me aguardando, mãe... Algo que eu não poderia esperar. Agora estou jogada na rua, e ouvi o policial dizer: O rapaz que causou este acidente estava bêbado"... Mãe; sua voz parecia tão distante... Meu sangue está escorrido por todos os lados e eu estou tentando com todas as minhas forças, não chorar... Posso ouvir os para-médicos dizerem: "A garota vai morrer". Tenho certeza de que o garoto não tinha a menor idéia, enquanto ele estava a toda velocidade, afinal, ele decidiu beber e dirigir, e agora tenho que morrer... Então por que as pessoas fazem isso, mãe? Sabendo que isto vai arruinar vidas? E agora a dor está me cortando como uma centena de facas afiadas... Diga a minha irmã para não ficar assustada, mãe! Diga ao papai que ele seja forte. E quando eu for para o céu, escreva "Garotinha do Papai" na minha sepultura. Alguém deveria ter dito aquele garoto que é errado beber e dirigir. Talvez, se seus pais tivessem dito, eu ainda estaria com possibilidades de continuar viva. Minha respiração está ficando mais fraca, mãe, e estou realmente ficando com medo... Estes são meus momentos finais e me sinto tão despreparada...! Eu gostaria que você pudesse me abraçar, mãe... Enquanto estou estirada aqui, morrendo, eu gostaria de poder dizer que te amo, mãe...! Então... Te amo e adeus...!" Essas palavras foram escritas por um repórter que presenciou o acidente. A jovem, enquanto agonizava, ia dizendo as palavras e o repórter, anotando...
"Esta matéria foi tirada da Internet."



Marlene O Fortuna

Quando comecei a escrever este Blog


Quando comecei a escrever este blog, foi mais por um desafio, quase que como uma brincadeira que funcionasse como terapia para a terrível Depressão que eu estava tendo com direito a Síndrome do Pânico e TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), que no meu caso, além da herança genética por parte de quase todas as mulheres da família de minha mãe (Algumas morreram esquizofrênicas, totalmente desequilibradas), minha própria mãe, falecida há seis anos, sofria desses distúrbios emocionais, e embora fosse uma mulher inteligente e sensível, viveu dos 55 anos até 73 quando morreu, sempre dependendo dos medicamentos e ainda assim, não saia de casa a não ser para ir ao médico, ou para algum lugar que ela conhecesse muito. Com isso, afastou-se dos amigos, parentes, e conhecidos. Ela era extremamente vaidosa e mesmo dentro de casa, quase sempre no seu quarto (Deixou de dormir no mesmo quarto com meu pai), estava sempre com os cabelos pintados, unhas feitas, baton e muito perfumada. Era lúcida quando conversava assuntos do passado, porém, confundia dinheiro novo com velho, não gostava de novos conhecidos e ao mesmo tempo em que era meiga e carinhosa com filhos e netos, tornava-se agressiva e nervosa com pessoas estranhas. Os netos adoravam a vó que fazia todas suas vontades e mesmo depois de grandes quando já compreendiam que ela tinha problemas emocionais e mentais, estavam sempre que podiam junto dela, contando e ouvindo estórias do arco da velha como assim ela as definia. Mas, voltando ao meu blog, eu o iniciei para manter as mãos ocupadas e a mente em atividade, pois estava perdendo a capacidade de reagir. Acredito que antes quando mais jovem, tive alguns sinais de depressão: depois do vestibular, antes e depois do casamento, no nascimento dos meus filhos. Mas, encarei tudo como cansaço, dias bons e dias ruins como chamam por aí. Quando estava com 40, 45 anos, tive algumas crises de ausências, que pouco duravam e eu atribuía a labirintite. Nesta época minha vida era muito agitada, filhos estudando, marido quase sempre ausente, trabalhando ou viajando a trabalho, e eu morando em Salvador (BA) minha família toda em Santos (SP) não tinha mesmo tempo para parar e avaliar minhas emoções. Sempre me cuidei muito, principalmente, nesta parte de saúde porque morria de medo de ser como minha mãe, uma vítima em potencial. Tomava meu lexotan, fazia exercícios na academia, trabalhava meio período, gostava de estar sempre arrumada e ENGANAVA a MIM MESMA fingindo que não sentia solidão, que era feliz, satisfeita com meu relacionamento com meu marido, enfim, que eu tinha tudo para não reclamar da vida, até mesmo que se eu o fizesse meu marido caia em cima, dizendo que ele tinha que trabalhar, que eu gastava muito e que se não estivesse satisfeita... Em junho de 1992, meu marido foi para a China, em viagem de trabalho. Nesta viagem pela primeira vez em 20 anos de casados, ele mentiu para mim. Não vou contar detalhes, mas esta pequena omissão como ele se explicou, causou seu pedido de demissão na fabrica que trabalhava. Ele ficou um ano e três meses desempregado e só quando o dinheiro estava acabando, ele decidiu procurar fazer alguma coisa para pelo menos nossos filhos terminarem seus estudos. Nesse tempo, a mais velha se preparava para o vestibular, com 17 anos, e o mais novo com 14 anos iniciava o segundo grau. Ele (meu marido) desenvolveu um projeto revolucionário para a época, despertando a atenção de alguns empresários que resolveram investir. Quando o projeto estava quase pronto, gerando procura, os sócios que investiram receberam uma proposta pelo mesmo, só que eles queriam junto as patentes e estas estavam todas registradas em nome de meu marido, que não cedeu em negociá-las. Foi assim que em 28 de fevereiro de 1998 tivemos nossa vida novamente estraçalhada, desta vez, a mais velha formada em Direito e o mais novo ingressando na faculdade de Direito, em Juazeiro(BA) a UNEB. Frente aos novos desafios contando apenas com a aposentadoria, deixei minha filha em Salvador, pois havia passado num concurso público, sendo secretária do juizado de pequenas causas, e vim morar em Juazeiro em busca de uma vida melhor enquanto a justiça resolvia os problemas da fábrica (Até hoje nada foi resolvido). Em 28 de fevereiro de 1999 mudamos para cá pensando em ter um pouco de paz. Em abril, a namorada de meu filho ficou grávida e lá vou eu de novo segurando a barra de todo mundo. Eles se casaram e vieram morar conosco. No dia 25 de dezembro, nasceu Júlia, trazendo pelo menos durante todo o tempo que morou conosco, uma nova vontade de ser feliz, um desejo novo, uma certeza de que tudo valeu. Meu filho e minha nora que é como uma filha se formaram juntos em direito e ele concursado na C.E.F., ela concursada do estado da BA, em primeiro de julho de 2005, mudaram para a casa deles, o que era esperado por todos com alegria apesar de não mais morar na mesma casa. Em 7 de julho do mesmo mês minha médica diagnosticou um câncer de pele no ombro esquerdo, marcando uma cirurgia para primeiro de agosto. No dia 22 de julho, ou seja, na semana subseqüente minha filha foi seqüestrada em Salvador, e tudo que eu sofri durante àquela hora em que ela ficou nas mãos dos seqüestradores, junto com tudo que eu lutava para superar foi pro espaço. Durante um mês fiquei calma, ajudei em tudo , como graças a Deus nada aconteceu a ela, fiz minha cirurgia dando na biopsia melanoma inicial. Deixei minha filha com o coração em pedaços, entreguei sua vida a N. SRA e a JESUS e voltei para Juá onde pensei recomeçar vida nova. Foi aí então, que o fantasma da Depressão me pegou. A dor era na alma, eu não dormia, não comia nem queria ver ninguém com exceção de Júlia. Passei a ficar obcecada pelo medo de sair de casa, não queria mesmo conversar com ninguém. Só fazia telefonar para minha filha, várias vezes ao dia, causando até constrangimento para ela quando não a encontrava. Nas minhas madrugadas eu cortava minhas unhas todos os dias até sangrarem. Eu tinha vontade de me matar, mas não tinha coragem. Teve só um dia que quase fiz isso, por causa de uma briga com meu filho. O pior é que sendo eu uma mulher convertida, cheia de fé, cursilhista de 20 anos, catequista 12 anos, com curso de teologia, ninguém via o que estava acontecendo comigo, ao contrário, achavam que eu estava chata, nervosa, que era menopausa... Até que no dia primeiro de janeiro de 2006, assim que minha filha partiu para Salvador tive minha primeira e única crise (Até agora) de Depressão Agressiva. Eu não chorava, eu queria gritar de dor, minhas mãos ficaram geladas, meus pés se retorciam, meu coração disparava e eu suava como quem estava numa sauna, com dores terríveis chegando mesmo a ficar cianótica (lábios roxos). Foi quando vi que precisava de ajuda profissional. Hoje, ainda em tratamento, estou melhorando, mas de vez em quando, a tristeza me invade, as lágrimas são incontroláveis, ainda não gosto de sair de casa nem na igreja consigo ir. Estou começando a rezar novamente e só DEUS meu companheiro de todas as horas sabe o quanto preciso superar. Este relato é um testemunho de mais um desafio que estou superando. Se por acaso você ler minha estória, saiba que Depressão é doença e pode nos matar se não tivermos coragem para pedir SOCORRO!!!



Marlene O Fortuna

Como somos inconstantes


Já dizia o pequeno Principe: Não se pode saber nunca onde se encontram os homens. O vento os leva. Eles não tem raízes. Eles não gostam de raízes. As aparências facilmente nos enganam. E é muito difícil conhecer a realidade íntima das pessoas! Os homens são vulneráveis e inconstantes como o vento. Nem consigo mesmo, se encontram com freqüência. São uns eternos fugitivos. Oscilam entre querer o bem ou praticar o mal.Prometem a si mesmos que deixarão de ser assim, inautenticos, e o primeiro vento da tentação que sopra arranca as frágeis raízes de seus propósitos superficiais.

A VONTADE ENFRAQUECE E A FIRMEZA CAI...

A constância, que gera o equilíbrio e faz de alguém um homem perseverante e inabalável, sente-se cada dia mais fraca incapaz de vencer. Dividido e machucado, machucando as pessoas ao seu redor, esquece-se muito fácil daqueles que um dia o acolheram em sua suas casas e em seus corações, torna-se um joguete da opinião publica, arrastado pela corrente impetuosa dos Meios de Comunicação, jogado contra si e contra os outros, derrubando, num instante, os mais sagrados princípios e Erigindo outros, dantes nunca aceitos. Eis o drama do homem de hoje: Dividido, manipulado pelos interesses mais obscuros e diversos, torna-se IMPOTENTE em suas resoluções e lutas para ser- ele- mesmo, isto é: Torna-se alguém incapaz de tomar decisões e desejos próprios. Afinal, onde andam os homens verdadeiros, que assumem seus compromissos com aqueles que o ajudaram na conquista da vitória, que conseguem pelo menos dizer MUITO OBRIGADO, um dia fui muito bem recebido por você, sem precisar dividir nada, como um Amigo? Não custa nada estas pequenas gentilezas e enaltece o nosso ser. Na época que vivemos, onde o PODER seja qual for, modifica até mesmo o caráter dos que se julgam poderosos, realmente não podemos esperar nada, nem mesmo daqueles que um dia revestidos em pele de cordeiros, fingiram gostar da gente, tornaram-se lobos escondendo-se através de suas máscaras de bons meninos, e, vão continuar assim pensando que não precisam dar satisfações de seus atos para ninguém. Mas, não se engane bom rapaz, a vida vai se encarregar de lhe dar as suas respostas. “E, assim dizia o pequeno príncipe: Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos”. Será que realmente um dia você cativou alguém? "A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar" Isso, acontece com a maioria das pessoas normais, que mesmo chorando, conseguem superar qualquer dor, por que acreditam não nos poderes humanos, mas no PODER DE DEUS.
Onde anda você Super-Homem?
Que ventos o carregam agora?

Esta reflexão foi feita baseada no livro "O pequeno Príncipe” De Exupéry e como tenho como principio a lealdade me inspirei no comportamento de alguém que se acha Poderoso. Há tantos por aí!...


Marlene O Fortuna

A Mãe de Jesus


No caminhar de cada dia levo sempre comigo MARIA Ela é a minha estrela guia sempre a me iluminar MARIA é minha porta aberta, minha força descoberta. Que sempre vem me libertar. Nos meus dias de aflição, seguro firme em sua mão. E enquanto rezo o meu rosário, meu coração é seu sacrário. Onde a mãe de Deus vem morar. Se às vezes fico perdida, cheia de dor, confundida. Sinto que o seu manto me abriga, sinto seus braços em mim. Já não sofro sem sentir a alegria de encontrar MARIA Em pé, junto comigo na cruz, como fez com seu filho Jesus. A minha jornada é pesada, sou humana, limitada, choro, sinto dor. Eu te peço, Mãe querida, que perdoe minha fraqueza, me mostre algum sinal. Não quero ser mais a mesma, quero ser por Ti ungida, ser uma escolhida. Preciso falar o seu nome, espalhar suas mensagens, mostrar aquilo que pedes. Pra todos que querem ser salvos, pois Jesus está a caminho. Em qualquer hora, em qualquer dia, ELE pode aqui chegar. Tenho que sair as ruas preciso anunciar. Na frente, tenho MARIA abrindo todos os caminhos que vou atravessar. Vou rezando... AVE MARIA! E quem sabe, se no dia quando eu a encontrar. Ela estará me esperando, como uma filha, voltando, para em seus braços ficar!

OBS:Não sou poeta nem tenho tal pretensão. Apenas gosto de escrever rimas para louvar do meu jeito: ”Jesus que é o meu Senhor, Maria minha intercessora e o Espírito Santo meu guia, que dirige minha vida, confortando a caminhada, iluminando minha estrada”.


Marlene O Fortuna

Onde erramos...



Hoje eu recebi um e-mail de várias pessoas, entre elas minha filha, que com certeza foi quem repassou a mensagem por ter achado que, eu iria gostar de ver fotos do sofrimento de seres humanos. Havia miséria, guerras, crianças morrendo de fome, rostos desfigurados pela violência, etc. No início e no final da apresentação das fotos havia uma frase:
Por que desejamos a paz!
Sinceramente, eu modéstia à parte sou conhecedora desses sofrimentos que assolam o mundo desde que me conheço como gente. Além de ler os noticiários, já sofri na pele alguns desses sofrimentos há anos atrás, e até recentemente, aqui mesmo onde moro, uma pequena cidade do interior baiano, podemos ver, crianças catando lixo para saciar a fome, do mesmo jeito que assistimos meninos com revólver nas mãos assaltando e em certos casos matando, por causa de um celular. A maturidade dos meus 56 anos, me faz compreender, que todos tem sua parcela de culpa, e, se cada um fizesse sua pequenina parte, teríamos mais paz no mundo. Não me sinto nem um pouco constrangida em não repassar a mensagem, pois fotografar a desgraça dá dinheiro para quem fica atrás da máquina e seria da minha parte substimar a inteligência de meus contatos, mostrando aquilo que estão cansados de saber. Durante algum tempo, trabalhei como voluntária no setor de câncer infantil na Santa Casa de Misericórdia em Santos (S.P.), como também trabalhei como voluntária na creche Ieda Barradas em Salvador,onde até consegui através de esposas dos funcionários da Petrobrás um convenio com desconto em folha durante dois anos para aquisição de alimentos, comprados por elas, com notas, tudo direitinho, o que ajudou e muito as crianças que lá estavam, á espera de uma família que as adotassem. Muitas vezes, fui para casa chorando, me sentindo impotente diante de tudo. Mas, aprendi com a Palavra de Deus que para amar o Próximo, antes de tudo, tenho que saber amar a mim mesma. Isto, não é egoísmo, pois o próprio Cristo nos diz: Amai ao Próximo como a ti mesmo. Foi então, que descobri que o meu próximo em primeiro lugar eram: Meus filhos, meu marido, minha família, ou melhor quem estivesse precisando de mim era o meu próximo. E muito fácil a gente se acomodar, achando que ser voluntária(o) já nos exime de qualquer outra ajuda. Não tiro os méritos dos verdadeiros voluntários, daqueles abnegados, que colocam em risco sua própria vida, pela vida do próximo tal qual Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá e outros. Refiro-me àqueles que o fazem para aparecer na fita como dizem os jovens, e, que, é maioria infelizmente! Deixando de lado, este assunto eu gostaria de compartilhar com quem visita este blog alguns questionamentos. Daí o título: ONDE ERRAMOS...
Existem pessoas que passam toda sua vida dizendo sim a tudo, com medo de ferir ou de ser indelicadas. O respeito humano muitas vezes nos impede de dizer um Não. Eu li no livro de Leo Buscaglia “ O paraíso fica perto “ que uma senhora começava a temer os convites de sua filha para jantar pois, percebia que para a filha estas noites eram tarefas desagradáveis. Em vez de falar claramente com a filha, para manter a paz entre a família ela fingia uma boa vontade e um entusiasmo que não sentia. Isso fazia com que ela se sentisse mal, rejeitada. Em certos casos, como esse exemplo, seria muito mais prudente arriscar um possível desentendimento do que passar depois, horas inúteis cheias de ressentimentos. Haveria uma maior transparência entre as duas se ela, a mãe falasse um Não aos convites. Se dizemos Sim só por uma questão de dever, a outra pessoa ficaria muito melhor sem nós. Com certeza, todos sobrevivem e sobreviverão sem nossa presença. Somos muito mais substituíveis do que pensamos. Até mesmo para nossos filhos, depois que ficam adultos a nossa presença é facilmente substituída por amigos, sempre haverá alguém disponível e mais interessante do que nós. Não podemos deixar que sentimentos de culpa sejam produzidos, por falta de uma negativa. O melhor que podemos fazer é falar a verdade imediatamente, com delicadeza estaremos mostrando o que estamos sentindo e talvez seja o bastante para que reconsiderem seu comportamento, quando realmente gostam de nós. Portanto, em muitas situações , dizer Não se torna um ato de amor. Principalmente com os filhos, temos que jogar sinceramente para que compreendam melhor nossas necessidades específicas. E algo que temos o direito de esperar deles. A vida é curta demais para que grandes partes do nosso tempo sejam gastos em coisas que não fazemos por respeito humano. No fim como diz Buscaglia, talvez seja a coisa mais amorosa que podemos demonstrar. Quando no libertamos da responsabilidade de estar sempre certos, de admitir que erramos tanto quanto acertamos desacordos complexos podem ser resolvidos. Cedo ou tarde, nós aprendemos que nosso relacionamento com outras pessoas, sejam elas nossos filhos ou não exige dar muito de nós mesmos. Não somente nosso tempo, mas nosso interesse sincero e amigo.
DAR de SI mesmo sem esperar nada em troca é uma das melhores coisas que um ser humano pode fazer por outro. Infelizmente, como seres humanos que somos, aprendemos a ser céticos e sempre queremos um pouquinho de lucro em tudo que investimos. Como mãe eu espero o reconhecimento, o carinho, a atenção e o respeito. Estarei errada? Onde foi que errei? Serei menos digna de reconhecimento só por que meus filhos não pediram para vir ao mundo? E as dores vividas por eles desde o nascimento, primeira dentição, as febres da infância, os corações partidos da adolescência? Também eu não sofri com eles? As provas bimestrais, as dificuldades do vestibular, não foram vivenciadas intensamente EM mim? Não é preciso muito! Uma palavra de encorajamento para um bom pai, um pequeno elogio ou um abraço apertado compensa tudo. Um simples agradecimento, um gesto positivo ou um breve telefonema faz o coração de qualquer mãe , mesmo de uma mãe chata como eu , transbordar de felicidade. E a pergunta que não quer calar: Onde erramos? Fico com uma resposta de Aristóteles: “A dignidade não consiste em receber honrarias, mas em merece-las “ Uma palavra de reconhecimento uma vez ou outra não faz mal a ninguém. Trabalho bem feito e devoção constante aos próprios princípios devem trazer sempre uma Recompensa!!!


Marlene O Fortuna

OBS: Algumas considerações desta matéria foram pesquisadas no livro O paraíso fica perto, principalmente por que como psicoterapeuta, ele é o máximo! ( Leo Buscaglia )

Ser Executiva... Ou Simplesmente Amélia


Hoje eu reli uma mensagem onde a pessoa que a escreveu traçava um paralelo entre as duas mulheres: Amélia e a mulher 2006, competitiva, que exerce dupla jornada, fazem quase tudo que o homem faz profissionalmente, nem sempre ganham iguais a eles, no entanto, levantam a bandeira da liberdade conquistada. Como nasci nos anos 50 tenho a vantagem de vivenciar as duas. Também tive que ir á luta. Estudar, trabalhar fora, criar filhos, fazer mercado, dirigir, ou melhor, ser motorista dos filhos, cuidar da casa, estar sempre arrumada e pronta para o marido que saia de casa para o trabalho pela manhã e só retornava no final da tarde, muitas vezes antes de mim, pois sempre tinha um filho para pegar no inglês ou passar na padaria para comprar o pão. Eu me lembro, das vezes que enquanto meus filhos almoçavam, eu me deitava no sofá da sala para tirar um cochilo de 15 minutos, para logo depois enfrentar o transito congestionado, num sol e calor escaldantes de Salvador. Até hoje tenho as calosidades do volante quente nas mãos. Eu tinha uma amiga, Tereza, que revesava comigo determinados horários que, sempre brincando, dizia: Só nos falta o boné de motorista. Vivenciei esta maratona durante mais de vinte anos. Não me queixo, por que além da satisfação pessoal no exercício da minha profissão, todas as mulheres ou quase todas do meu relacionamento faziam a mesma coisa, algumas, até mais. Hoje, tenho mais que cinqüenta anos quase atingindo a terceira idade. Meus filhos estão formados, muito bem encaminhados, independentes completamente, cada um mora em sua casa, tem seus carros, viajam, enfim, estão voando como eu queria, com suas próprias asas e retornam sempre que podem ao ninho para nos dar seu carinho, sua gratidão, através de suas presenças e dos telefonemas e e-mails diários. Aposentados, eu e meu marido, vivemos numa casa pequena, porém confortável, gostamos de dormir tarde ou por causa do computador ou assistindo filmes no DVD, levantamos depois das nove, almoçamos aquilo que queremos e na hora que queremos, caminhamos um pouco pela tarde e só temos um compromisso SÉRIO. Este compromisso nos impõe certos horários, mas é tão agradável e tão gratificante que não podemos passar sem ele, nem mesmo nos finais de semana. O nome dessa maravilhosa missão é Júlia Maria, nossa neta, com seis anos de idade, com quem partilhamos momentos de brincadeiras, de estórias mirabolantes e para quem contamos as nossas vidas antes dela nascer. Para Julia eu faço bolinhos de chuva, brigadeiros, bolos de chocolate e muito, mas muito, mesmo: Miojo e Pipocas. Ela adora! Passa pelo menos três horas conosco todos os dias. Voltando ao tema do nosso assunto, eu hoje me dou ao privilégio de ser simplesmente Amélia. Não aquela que era mulher de verdade, mas uma Amélia 2006, que sem ser servil, sabe servir, sem ser acomodada, sabe desfrutar de um bom livro, de um bom filme, até de uma boa calça jeans ou um pretinho básico, acompanhado de um perfume bom, mesmo que seja genérico. Adoro uma camisola de renda, tanto quanto uma velha camiseta para dormir, com direito a calçar meia soquete. Também curto uma cervejinha gelada, um bom vinho branco e encaro de vez em quando um wisk c/ água de coco. Mas... De vez em quando bate uma saudade gostosa daqueles tempos de correria. Sabem o que eu faço? Subo no salto alto, coloco meu baton vermelho, seguro na mão de meu marido e vamos admirar nossas pimenteiras, capim cidreira, os pés de romã, bouguenvile e... quando a saudade vai embora, eu ergo meus olhos para o Céu, numa prece silenciosa agradeço ao meu Deus e a Virgem Maria por tudo, tendo a certeza de que Tudo que hoje posso ter , com modéstia, dentro do meu também modesto padrão de vida, só me deixa feliz por que sempre acreditei e acredito em Milagres. EU SOU UM GRANDE MILAGRE DE DEUS! MINHA FAMILIA E UM MILAGRE DE DEUS! Quanto a ser Amélia minha amiga, só pode sentir o prazer de SER, quem como você: acorda com sono, dá um duro danado, estuda, vai á luta pela sobrevivência. Um dia, você também poderá se permitir, ser mulher de verdade e falar com vaidade: Eu conquistei este direito, com o meu mérito e com minha fé em Deus!!!

Para ser Amélia, temos que pensar em luxo e riqueza e QUERER ser MULHER DE VERDADE!


Marlene O Fortuna