sábado, 25 de agosto de 2007

UMA ESTRELA CADENTE


Fácil, a gente ter mãe...
Fácil, a gente ter mãe,nem se percebe que tem,mas só saber que ela existe,que podemos encontrá-laà hora que desejarmos,que seus olhos sorrirão,cheios de amor e bondade,ao ver a nossa aflição;que a seu lado - ela que é fraca-nos sentiremos tão fortesconfiantes no futuro,o coração tão seguroe o mundo todo tão bom,como se fosse verdade,só isto vale ter mãe,e é uma felicidade.
Fácil a gente ter mãe- quase todo mundo tem -mãe é uma coisa tão bela!Pena é ver que há pela vidaos que só sabem que há mãeporque ouviram falar nela,só a conhecem de nome,às vezes mesmo, nem isto.Mãe é uma simples palavracomo uma nuvem ao vento,um vazio pensamento.
Fácil a gente ter mãe,nem se percebe que temno todo dia a seu ladoquando se tem a certezae se sabe onde ela está,pra dividirmos com elauma alegria, um revés,que basta só querer vê-la.Assim é fácil ter mãe.
Difícil, sim, é perdê-la,é ter que aceitar a idéiade que no lugar de sempreela não se encontra mais.Não adianta abrir a porta;não passeia na varanda,a cadeira está vazia,na cama não tem ninguém.E aquela voz que conforta,que nos dava tanta paz,que era um bem que não tem preço,que era o nosso maior bem;não ouviremos, calou-se,é que ela agora mudou-sepra um lugar sem endereçoonde Deus mora, no Além.
Ah, difícil é perdê-la,nunca mais poder achá-la,nos sentarmos a seu lado,passearmos na varanda,vê-la no quarto ou na sala,que partiu, sem ter mais volta,que pra nós nunca mais vem!
E indefesos e sozinhos,termos que aceitar a sortepor desolados caminhos,inconformados com a morte,todos perdidos também.
Fácil é a gente ter mãe,mãe é assim como uma estrela,estrela-guia que a gentetraz guardada dentro em si.Difícil, sim, é perdê-lacomo uma estrela cadenteque de repente se apaga...
E, oh, meu Deus, eu a perdi.

Marlene O Fortuna (autor desconhecido)

sábado, 11 de agosto de 2007

Vida minha...

Hoje eu senti vontade de sonhar. Sonhar que o tempo não passou, que tudo aquilo ficou.
Queria que um sol ardente se abrisse dentro de mim. Que bom seria se fosse assim.
Minhas lágrimas secaram, meus olhos estão vazios, sem brilho para o amanhã.
Não vejo luz no final do túnel, somente a escuridão que me apavora, quero ir embora.
Tenho medo deste caminho que não conheço, em cada esquina dele eu me perco.
Talvez minha ilusão perdida, ainda possa afinal ser reaprendida, dentro da razão.
Mas, que razão se no meu espaço de mundo, não tenho paz um segundo?
Que bom seria dormir simplesmente e acordar diferente, feliz, com meu coração.
A vida me passou a perna, brincou comigo de jogar, um jogo que eu não sabia.
Fui tola, fui convencida, pensei até que eu fosse querida por outro alguém.
A verdade é que fui louca, me entreguei desvairada neste vai e vem.
Hoje choro arrependida, magoada demais com a vida, sem tempo prá retornar.
Agora o que me resta é ficar nesta espera de um sinal, que me traga enfim a paz.
Sou covarde para sair da vida, assim sem despedida, preciso de uma mão amiga.
Dormir, sonhar, não são mais direitos meus, a tristeza essa inimiga tomou-os como seus.
Mas, eu continuo viva, vagando, muito perdida nesta imensa solidão.
Esperando quem sabe a morte, destino até do forte, um dia me alcançar.

Marlene O Fortuna