sábado, 27 de fevereiro de 2010

Não Sei Quantas Almas Tenho (Fernando Pessoa)
Vaga, no azul amplo solta, vai uma nuvem errando... (Fernando Pessoa)Vaga, no azul amplo solta,Vai uma nuvem errando.O meu passado não volta.Não é o que estou chorando.O que choro é diferente.Entra mais na alma da alma.Mas como, no céu sem gente,A nuvem flutua calma.E isto lembra uma tristezaE a lembrança é que entristece,Dou à saudade a riquezaDe emoção que a hora tece.Mas, em verdade, o que choraNa minha amarga ansiedadeMais alto que a nuvem mora,Está para além da saudade.Não sei o que é nem consintoÀ alma que o saiba bem.Visto da dor com que mintoDor que a minha alma tem.Cai Chuva do Céu Cinzento (Fernando Pessoa)Cai chuva do céu cinzentoQue não tem razão de ser.Até o meu pensamento Tem chuva nele a escorrer.Tenho uma grande tristezaAcrescentada à que sinto.Quero dizer-ma mas pesaO quanto comigo minto.Porque verdadeiramenteNão sei se estou triste ou não.E a chuva cai levemente(Porque Verlaine consente)Dentro do meu coraçãoO Amor, Quando Se Revela (Fernando Pessoa)O amor, quando se revela,Não se sabe revelar.Sabe bem olhar p'ra ela,Mas não lhe sabe falar.Quem quer dizer o que senteNão sabe o que há-de dizer.Fala: parece que mente...Cala: parece esquecer...Ah, mas se ela adivinhasse,Se pudesse ouvir o olhar,E se um olhar lhe bastassePra saber que a estão a amar!Mas quem sente muito, cala;Quem quer dizer quanto senteFica sem alma nem fala,Fica só, inteiramente!Mas se isto puder contar-lheO que não lhe ouso contar,Já não terei que falar-lhePorque lhe estou a falar...
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EM ALTO MAR

Em Alto Mar”, porque gostava da idéia de escrever meus posts como bilhetinhos em garrafas lançadas ao mar. Uma grande parte desses bilhetinhos resumia-se a pedidos velados de socorro. Explico: eu estava passando por uma das piores fases do meu então não diagnosticado transtorno afetivo bipolar. Sentir-se sozinha numa ilha, sem uma viva alma por perto para me ajudar, traduzia perfeitamente a solidão de alguém que passa por uma crise severa de depressão: a descida de um bipolar na montanha russa. Vários posts retratavam o desânimo, a desesperança e todos os demais efeitos colaterais do transtorno. Outros, mais raros, refletiam meus momentos de euforia: a subida da montanha russa.
Esperava, que de alguma forma, os posts pudessem me trazer algum acalanto, alguma salvação. Assim, eu os lançava ao mar da minha particular ilha deserta, na esperança que algum navegante qualquer viesse ao meu socorro. Posso dizer que recebi, sim, a ajuda de vários leitores-navegantes, por e-mail, por cartas deixadas na portaria do meu prédio, por telefonemas e comentários deixados no blog. Hoje estou voltando pensando tudo vai ser diferente e novamente estou falando deste maldito TAB. Eu disse que perdi minha identidade, todos tomam conta de minha vida, meus filhos, meu marido . Deixei de tomar o litio pois alem de me engordar 20kl eu estava travada , mal podia ou ainda mal posso andar direito , minhas pernas doem , meus bracos nao teem forca. Fico perdida e morro de medo de sofrer uma internacao. Como nao tenho grandes poderes aquisitivos, meu marido e aposentado faco meu tratamento pelo CAPS(Centro de assistencia Psico Social) onde tambem pego a maioria dos remedios.O litio deixei por minha conta e minha psiquiatra esta esperando para ver se eu nao tenho uma resseciva. Sabem me sinto perdida, nao tenho vontade de fazer nada, so de ficar na cama. Na fase de euforia quero comprar tudo, roupa, sapatos, bolsas, meu nome esta com restricoes pois gasteinum dia 8.500,00 em cartoes e estourei as contas de meu marido. Ja nao sei quem sou porque depois tenho remorsos e nao lembro de quase nada Li num blog de outra pessoa bipolar e nem precisei degitar meus sofrimentos, eram os mesmos que os meus. So fiz copiar, ela que me perdoe. Quero voltar a fazer poesias, escrever sobre o lugar que eu moro que um paraiso, mas, por enquanto simplesmente....Nao consigo!!!! bjos Marlene
Da pergunta que não queria calar: por que eu? Pois bem. Eu me fiz essa pergunta incontáveis vezes e briguei com Deus, culpei meus pais, dormi e acordei chorando, quase morri, me senti a maior e a mais miserável vítima do mundo, mandei muita gente à merda. Como se a minha dor fosse maior do que a dos outros. Doía ver os outros felizes, doía ver o comercial da família reunida em torno da mesa para tomar café da manhã (comercial de margarina é foda), doía ver o dia em que todos tratavam de v-i-v-e-r enquanto eu estava paralisada na cama. Por que eu? Por que eu tenho TAB? Eu encontrei uma explicação para isso: por incrível que pareça, o TAB me tornou uma pessoa melhor. Mais humilde, menos ambiciosa, menos workaholic, mais compreensiva, mais apaixonada, mais esperançosa. Parece-me que o TAB foi um chacoalhão que a vida me deu, encarando-me bem nos olhos e dizendo: “Bicho, do jeito que tava não dá. Ou você acorda para a vida agora ou não acorda nunca mais”. Pois é. Estou acordada. Dá vontade, sim, ainda, de apertar a tecla “foda-se” e não encarar o dia que tenho pela frente e tantos outros dias. Mas penso que não corri tanto, não briguei tanto com a porra do TAB para nada. E nesses momentos, sou eu quem encaro o TAB bem fundo e desafio: “Ou sou você ou sou eu. E aí, mermão? Vai encarar?”. E assim vou matando um leão por vez, todo o dia.

Mesmo assim

MESMO ASSIM – Madre Tereza de Calcutá
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 Autor: DeRose
As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.Ame-as mesmo assim.
Se você tem sucesso em suas realizações,ganhará falsos amigos e inimigos verdadeiros .Tenha sucesso mesmo assim.
O bem que você faz será esquecido amanhã.Faça o bem mesmo assim.
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.Seja honesto mesmo assim.
Aquilo que você levou anos para construir,pode ser destruído de um dia para o outro.Construa mesmo assim.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda,mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.Ajude-os mesmo assim.
Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo,você corre o risco de se machucar.Dê o que você tem de melhor mesmo assim. Marlene Fortuna

domingo, 14 de fevereiro de 2010

VOLTAR


Voltar!


Não sei o que para mim e mais difícil ter parado de escrever e me esconder no cantinho lambendo minhas feridas ou VOLTAR expressando para todos meu EU inteiro, sem mascaras. Afinal acabei de fazer 60 anos, não sou mais nenhuma menina, preciso a reapreender a forca da vida. Existe dentro de mim uma Marlene aprisionada, não pela bipolaridade, mas pelos preconceitos sociais. Amar para mim e essencial e de repente me surpreendo ao descobrir minha enorme capacidade de dar e receber amor. Recomecei a sonhar com amores diferentes. Descobri que apesar de ter engordado 20k posso retomar o meu peso ideal, basta gostar daquilo que vejo no espelho, ou melhor, preciso simplesmente me aceitar. Descobri a formula de amar a mim mesma deixando os outros para segundo plano. Essa e uma forma de amar que parece simples, porem, não e! As pessoas na verdade gostam de serem amadas pelos outros, mas se perdem no caminho do amor próprio. E claro que gosto que me amem, de sentir o amor do próximo. Mas, eu também gosto de me amar, de sentir-me desejada por mim mesma ignorando minhas mazelas e pensando somente em mim!
Volto hoje a escrever com orgulho, pois só quem sofre de bipolaridade pode dimensiona a dificuldade dos altos e baixos do céu e do inferno que assola a vida da gente.
Estou voltando hoje e prometo não mais parar enquanto minhas simples palavras ajudarem alguém a voltar para o mundo!
ISSO SE CHAMA SUPERACAO!


Marlene